
Curso de 400 horas vai capacitar 40 profissionais da saúde até 2028 para a prescrição segura de plantas medicinais e fitoterápicos, com aulas teóricas e práticas.
DA REDAÇÃO | FOTO: SES-MT
A Escola de Saúde Pública de Mato Grosso (ESP-MT), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), iniciou nesta segunda-feira (19) a Especialização em Plantas Medicinais e Fitoterapia, em Primavera do Leste. A formação vai qualificar 40 profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), com carga horária de 400 horas e previsão de desenvolvimento entre 2026 e 2028.
A iniciativa busca preparar profissionais para a prescrição segura de plantas medicinais e fitoterápicos, aliando evidências científicas, conhecimento técnico e valorização dos saberes tradicionais. A proposta também pretende ampliar as possibilidades de atendimento na rede pública de saúde, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS).
Durante a abertura do curso, a superintendente da Escola de Saúde Pública, Silvia Tomaz, destacou a importância da qualificação para incorporar a fitoterapia aos serviços do SUS com responsabilidade e segurança.
“O nosso objetivo é formar profissionais que possam prescrever fitoterapia com segurança, evidência científica e respeito ao saber tradicional. Não é prática alternativa, é prática do SUS. É cuidado humanizado, de baixo custo, que fortalece o vínculo e a autonomia do usuário”, afirmou.
FORMAÇÃO ABRANGE DIFERENTES PROFISSIONAIS DA SAÚDE
A especialização é direcionada prioritariamente a servidores efetivos do SUS e contempla profissionais de diferentes áreas, como farmacêuticos, médicos, enfermeiros, dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas e biólogos.
O curso atende às diretrizes da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC), que orientam a inclusão dessas práticas nos serviços de saúde.
Mato Grosso reúne condições favoráveis para o desenvolvimento de iniciativas nessa área devido à diversidade de sua flora, presente nos biomas Cerrado, Amazônia e Pantanal. Esse patrimônio natural amplia as possibilidades de pesquisa e de valorização das espécies vegetais, desde que seu uso medicinal seja fundamentado em critérios técnicos e científicos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o uso de plantas medicinais faz parte das práticas de saúde de uma parcela expressiva da população mundial, inclusive nos cuidados primários. Nesse contexto, a formação de profissionais qualificados é importante para orientar o uso adequado desses recursos e reduzir riscos associados à utilização sem acompanhamento especializado.
AULAS INCLUEM PESQUISA, PRÁTICA E CONHECIMENTO TRADICIONAL
A metodologia da especialização coloca os estudantes no centro do processo de aprendizagem. A programação combina aulas presenciais e remotas síncronas, rodas de conversa, estudos de caso, oficinas e atividades práticas.
A matriz curricular está organizada em 11 unidades de aprendizagem, que abordam desde políticas públicas de saúde e introdução à fitoterapia até etnobotânica, etnofarmacologia, fitoquímica e os processos que envolvem o desenvolvimento de medicamentos a partir de plantas.
Também fazem parte da formação os marcos regulatórios e éticos, a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus) e a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename).
O conteúdo inclui módulos clínicos voltados à aplicação da fitoterapia em diferentes áreas, como sistemas digestivo, endócrino, respiratório, cardiovascular e imunológico, além de saúde da mulher, aparelho geniturinário, doenças de pele, sistema musculoesquelético e saúde mental.
As atividades práticas serão realizadas em farmácia viva e laboratório, em parceria com instituições de ensino locais, permitindo que os participantes relacionem os conhecimentos teóricos às possibilidades de aplicação nos serviços públicos de saúde.
PROJETOS PREVEEM APLICAÇÃO NOS MUNICÍPIOS
Ao concluir a especialização, cada estudante deverá apresentar um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no formato de projeto de intervenção. A proposta deverá ser planejada para implantação no município onde o profissional atua.
Entre os objetivos estão a criação de Farmácias Vivas e a formação de grupos de plantas medicinais na Atenção Básica. A intenção é estimular a aplicação dos conhecimentos adquiridos durante o curso e contribuir para a estruturação de iniciativas locais de fitoterapia no SUS.
A abertura da especialização contou com a presença da vice-prefeita de Primavera do Leste, Iva Viana; da secretária municipal de Saúde, Laura Leandra Moraes; e do defensor público da comarca de Primavera do Leste, Nelson Gonçalves de Souza Junior.
Com a formação, a Escola de Saúde Pública busca fortalecer a qualificação dos trabalhadores do SUS e ampliar o conhecimento técnico sobre o uso seguro de plantas medicinais e fitoterápicos na rede pública de Mato Grosso.
O Povo MT segue acompanhando as iniciativas de qualificação profissional, pesquisa e inovação que contribuem para o fortalecimento da saúde pública no estado.



