Max Russi defende Mato Grosso em disputa territorial e denuncia abandono de comunidades na divisa com o Pará

Presidente da ALMT afirma que moradores da região do Salto das Sete Quedas dependem de serviços mato-grossenses e cobra solução baseada na realidade das famílias que vivem na área em litígio
Da Redação | Foto: Gilberto Leite
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi, voltou a defender os interesses do Estado na disputa territorial com o Pará e afirmou que milhares de moradores da região do Salto das Sete Quedas vivem uma realidade de abandono e dependem diretamente dos serviços públicos oferecidos por Mato Grosso.
Em artigo publicado neste fim de semana, Russi destacou que a discussão envolvendo cerca de 22 mil quilômetros quadrados de área na divisa entre os dois estados vai além de uma questão cartográfica e envolve a vida de comunidades inteiras que utilizam hospitais, escolas, estradas e demais estruturas mantidas por municípios mato-grossenses.
Segundo o parlamentar, localidades situadas na área em disputa mantêm uma ligação natural com cidades como Alta Floresta e Paranaíta, enquanto o acesso aos centros urbanos paraenses exige longos deslocamentos por estradas precárias.
“Essa população busca atendimento hospitalar em Mato Grosso, estuda em escolas financiadas pelo Estado e movimenta a economia dos municípios mato-grossenses. É uma realidade que não pode ser ignorada”, argumentou.
O presidente da ALMT também chamou atenção para o que considera um impasse administrativo. De acordo com ele, apesar de atenderem a população da região, os municípios de Mato Grosso enfrentam limitações legais para realizar investimentos permanentes em infraestrutura devido à indefinição territorial.
A disputa tem origem em divergências sobre a interpretação dos marcos históricos utilizados na delimitação da fronteira entre os estados. Mato Grosso sustenta que houve erro na definição dos limites territoriais, o que teria resultado na perda de aproximadamente 2,2 milhões de hectares.
Embora o Supremo Tribunal Federal tenha decidido favoravelmente ao Pará em 2020, uma nova ação rescisória apresentada em 2023 mantém o tema em debate. Uma audiência de conciliação está marcada para o próximo dia 10 de junho no STF.
Para Max Russi, a discussão precisa considerar não apenas aspectos jurídicos e históricos, mas principalmente a realidade vivida pelas famílias que residem na região.
“O que está em jogo não é apenas uma área territorial. Estamos falando de pessoas que dependem diariamente de Mato Grosso para acessar serviços básicos e garantir qualidade de vida”, afirmou.
O presidente da Assembleia reforçou que o Parlamento estadual continuará acompanhando o caso e defendendo uma solução que leve em consideração as necessidades das comunidades afetadas.
A expectativa é que os próximos desdobramentos no Supremo Tribunal Federal contribuam para esclarecer a situação jurídica da área e definir os rumos da disputa que se arrasta há décadas entre os dois estados.



