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MILHO SUPERA 58 MILHÕES DE TONELADAS E MATO GROSSO REGISTRA NOVO RECORDE NA SAFRA 2025/26

Produção estadual cresceu 4,69%, enquanto produtividade média chegou a 130,11 sacas por hectare, segundo levantamento do Imea

DA REDAÇÃO
Foto: Imea

Mato Grosso encerrou a safra de milho 2025/26 com um novo recorde de produção. Dados consolidados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados nesta segunda-feira (31), apontam que o estado alcançou 58,04 milhões de toneladas do cereal, resultado 4,69% superior às 55,43 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.

O desempenho coloca novamente Mato Grosso em um patamar de destaque na produção nacional de milho e foi sustentado principalmente pela expansão da área cultivada e pelo avanço da produtividade das lavouras. Segundo o relatório de Oferta e Demanda do Imea, a área plantada chegou a 7,43 milhões de hectares, crescimento de 2,41% em comparação com os 7,26 milhões de hectares registrados na safra 2024/25.

A produtividade média também apresentou evolução. O indicador foi calculado em 130,11 sacas por hectare, alta de 2,23% sobre as 127,27 sacas por hectare alcançadas no ciclo anterior.

A colheita da segunda safra de milho 2025/26 foi oficialmente concluída em Mato Grosso no dia 21 de agosto. Durante o ciclo, a permanência das chuvas em importantes regiões produtoras contribuiu para o desenvolvimento das plantas e para o enchimento dos grãos. Apesar de ocorrências pontuais de perdas em áreas que tiveram o plantio realizado fora da janela considerada ideal, o resultado geral das lavouras foi positivo.

Para o analista de milho do Imea, Gabriel Brandão, o recorde é resultado da combinação entre o aumento da área cultivada e uma produtividade superior à observada na temporada anterior.

Segundo o analista, as condições registradas ao longo do ciclo contribuíram para que o estado alcançasse uma produção acima das expectativas observadas no início da temporada.

PRÓXIMA SAFRA DEVE TER PRODUÇÃO MENOR

Apesar do resultado histórico obtido em 2025/26, o cenário projetado para a próxima temporada é mais conservador. O Imea estima que a área destinada ao milho em Mato Grosso cresça apenas 0,59%, chegando a aproximadamente 7,48 milhões de hectares na safra 2026/27.

A produtividade inicialmente projetada, porém, apresenta queda significativa. A estimativa é de 119,64 sacas por hectare, redução de 8,05% em relação ao resultado consolidado desta safra. Com isso, a produção estadual deverá ficar inicialmente em 53,68 milhões de toneladas, volume 7,50% inferior às 58,04 milhões de toneladas produzidas em 2025/26.

O comportamento do clima e o calendário de plantio estão entre os principais fatores de preocupação para o próximo ciclo. Conforme a avaliação do Imea, uma eventual influência do fenômeno El Niño pode provocar alterações no regime de chuvas e atrasar o plantio da soja, reduzindo a janela disponível para a implantação do milho segunda safra.

O cenário pode se tornar ainda mais desafiador caso o período chuvoso termine antecipadamente. A combinação entre temperaturas elevadas e menor disponibilidade de água pode aumentar o risco de estresse hídrico nas lavouras.

Diante dessas possibilidades, o Imea trabalha neste primeiro momento com uma estimativa de produtividade mais prudente para 2026/27. O desempenho definitivo, no entanto, dependerá das condições climáticas observadas ao longo do próximo ciclo.

INDÚSTRIA DE ETANOL MUDA DESTINO DO MILHO EM MT

Outro movimento importante apontado pelo relatório é o crescimento da demanda interna pelo cereal. A expansão da indústria de transformação, especialmente das plantas de etanol de milho, vem alterando a dinâmica de comercialização da produção mato-grossense.

Na safra 2025/26, o consumo interno foi estimado em 23,27 milhões de toneladas. Para o próximo ciclo, a projeção é de que esse volume avance para 27,04 milhões de toneladas, crescimento de 16,23%.

Caso a previsão se confirme, Mato Grosso deverá consumir internamente mais milho do que o volume destinado às exportações pela primeira vez.

Enquanto a demanda doméstica avança, os embarques internacionais devem recuar. A estimativa do Imea é de que as exportações caiam de 24,10 milhões de toneladas em 2025/26 para 17,50 milhões de toneladas em 2026/27, retração de 27,39%.

Para Gabriel Brandão, o avanço da industrialização representa uma transformação na estrutura do mercado estadual, já que uma parcela cada vez maior do milho produzido em Mato Grosso passa a ser absorvida dentro do próprio estado.

A expansão das usinas de etanol cria uma demanda interna mais constante e modifica a relação entre o volume destinado ao mercado doméstico e aquele direcionado aos compradores estrangeiros.

ESTOQUES DEVEM DIMINUIR

A combinação entre uma produção projetada em nível menor e o aumento do consumo interno também deverá pressionar os estoques de milho no estado.

Para o encerramento da safra 2026/27, o Imea estima um estoque final de 285,08 mil toneladas, volume 55,77% inferior ao projetado para o término da temporada 2025/26.

O cenário reforça a importância do acompanhamento dos preços, da demanda e das condições de produção ao longo do próximo ciclo. Para os produtores e demais integrantes da cadeia, a relação entre oferta, consumo interno e exportações deverá ganhar ainda mais relevância diante da expansão da indústria de etanol e da possibilidade de uma produção menor na próxima safra.

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