Política

PAULA CALIL ALERTA PARA AVANÇO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER APÓS FEMINICÍDIO EM CHAPADA DOS GUIMARÃES

Presidente da Câmara de Cuiabá cobra medidas efetivas de prevenção e proteção às vítimas; Mato Grosso registrou 38 feminicídios até 17 de setembro de 2026.

DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO

O assassinato de uma mulher com 16 golpes de faca, atribuído ao ex-companheiro, no último fim de semana, em Chapada dos Guimarães, a 68 quilômetros de Cuiabá, voltou a chamar a atenção para a gravidade da violência contra a mulher em Mato Grosso. O crime, ocorrido em via pública, foi citado pela presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), durante a sessão ordinária desta terça-feira (13), ao defender o fortalecimento das políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.

A parlamentar destacou que os casos de violência contra a mulher exigem uma resposta efetiva do poder público e da sociedade, especialmente diante dos números registrados no Estado. Para ela, é fundamental garantir que mulheres em situação de risco tenham acesso à orientação, ao acolhimento e aos mecanismos de proteção antes que as agressões evoluam para consequências irreversíveis.

“É muito triste ver uma mulher perder a vida dessa forma. Estamos falando de vidas, de famílias destruídas e de uma violência que não pode ser tratada como algo normal. Precisamos agir antes que seja tarde, acolher as mulheres que pedem ajuda e garantir que elas tenham proteção de verdade”, afirmou Paula.

A manifestação ocorre após o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado em 10 de outubro, data dedicada à conscientização e ao enfrentamento das diferentes formas de violência, incluindo agressões físicas, psicológicas, morais, sexuais e patrimoniais.

NÚMEROS REVELAM DIMENSÃO DA VIOLÊNCIA EM MATO GROSSO

Os registros de segurança pública evidenciam a dimensão do problema. Entre janeiro e maio de 2026, Mato Grosso contabilizou 18.536 ocorrências de violência doméstica e familiar.

No mesmo período, foram registrados 6.409 casos de ameaça, 3.231 de lesão corporal, 2.339 de injúria, 1.425 de violência psicológica, 1.146 de difamação e 1.070 de perseguição, conhecida como stalking.

Os dados levantados junto às fontes de segurança pública e ao Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), também apontam 7.796 pedidos de medidas protetivas no período. Até 17 de setembro de 2026, o Estado já contabilizava 38 feminicídios.

Para Paula Calil, os números demonstram que o enfrentamento à violência contra a mulher não pode se limitar a campanhas pontuais. A parlamentar defende o fortalecimento da rede de atendimento, a ampliação do acesso à informação e a criação de condições para que as vítimas consigam romper o ciclo de violência com segurança.

“Nem sempre a violência começa com uma agressão física. Muitas vezes, começa com o controle, a humilhação, as ameaças e o medo. Por isso, precisamos estar atentos aos sinais e garantir que nenhuma mulher se sinta sozinha ou desamparada quando decidir pedir ajuda”, destacou.

LEIS BUSCAM AMPLIAR PROTEÇÃO ÀS MULHERES EM CUIABÁ

No Legislativo cuiabano, Paula tem defendido iniciativas voltadas à prevenção da violência e à construção de uma rede de proteção mais efetiva.

Uma delas é o programa Cuiabá Protege Mulheres, de autoria da vereadora, que estabelece um protocolo de acolhimento e proteção para mulheres em situação de risco em bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos. A proposta busca preparar esses espaços para identificar situações de perigo e oferecer apoio às possíveis vítimas.

Outra iniciativa é a lei Homens de Verdade Protegem Mulheres, também de autoria da parlamentar, que incentiva o envolvimento dos homens no combate à violência e na promoção de relações baseadas no respeito.

A medida reforça a importância da participação masculina na prevenção, com o enfrentamento de comportamentos machistas e a compreensão de que a proteção das mulheres é uma responsabilidade coletiva.

“Não basta dizer que somos contra a violência. Precisamos transformar esse discurso em atitudes, leis e políticas públicas que funcionem na prática. Os homens também precisam fazer parte dessa mudança, combater o machismo e entender que respeitar as mulheres é uma obrigação”, pontuou.

A presidente da Câmara também ressaltou que seu compromisso com a causa não se restringe ao exercício do mandato. Segundo ela, a continuidade das ações de conscientização, prevenção e acolhimento é fundamental para que as mulheres tenham condições de buscar ajuda e reconstruir suas vidas sem medo.

“Meu compromisso com as mulheres de Cuiabá não depende de cargo. Vou continuar defendendo essa causa porque acredito que nenhuma mulher pode ficar desamparada. Quero uma cidade onde todas possam viver com liberdade, segurança e dignidade, sem medo de terminar um relacionamento, sair de casa ou recomeçar a própria vida”, concluiu Paula Calil.

COMO DENUNCIAR A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Mulheres que enfrentam situações de violência ou pessoas que presenciam agressões podem buscar ajuda pelos canais oficiais.

  • 190 — Polícia Militar: para situações de emergência e risco imediato.
  • 180 — Central de Atendimento à Mulher: serviço gratuito para denúncias, orientações e informações sobre a rede de atendimento.

A denúncia e a busca por ajuda são passos importantes para interromper o ciclo de violência. O fortalecimento das políticas públicas e da rede de proteção é essencial para que as vítimas encontrem apoio e tenham seus direitos garantidos.

O Povo MT segue acompanhando as ações e iniciativas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher em Mato Grosso.

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