POLÍCIA CIVIL DESARTICULA ESQUEMA DE EXTORSÃO QUE FEZ SERVIDORA PERDER MAIS DE R$ 1,1 MILHÃO EM MT

Operação Laço Oculto cumpre 14 mandados judiciais e bloqueia bens e contas de investigados; prejuízo pode ultrapassar R$ 3,3 milhões em medidas patrimoniais.
DA REDAÇÃO
Foto: PJC-MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Laço Oculto para desarticular um esquema de extorsão que causou prejuízo superior a R$ 1,1 milhão a uma servidora pública estadual. Ao todo, são cumpridas 14 medidas judiciais em Cuiabá e Várzea Grande.
A ação é coordenada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá e inclui cinco mandados de busca e apreensão em residências, um mandado de busca e apreensão de veículo, cinco ordens de sequestro de bens e três bloqueios de ativos financeiros. Somadas, as medidas de indisponibilidade patrimonial podem alcançar mais de R$ 3,3 milhões.
Entre os investigados estão servidores vinculados à Secretaria de Estado de Saúde (SES), um policial militar e outras pessoas apontadas como integrantes do fluxo financeiro do esquema. A SES colaborou com as investigações, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar acompanha o cumprimento das determinações judiciais envolvendo o militar investigado.
De acordo com a investigação, a vítima foi submetida, entre 2022 e 2025, a um intenso processo de manipulação psicológica. A principal suspeita, colega de trabalho da servidora, teria criado uma falsa narrativa de que ambas estavam sendo ameaçadas por agiotas devido a uma suposta dívida envolvendo outro servidor público.
Aproveitando-se do medo da vítima, a investigada passou a exigir pagamentos frequentes, alegando que os valores seriam utilizados para quitar a suposta dívida e evitar ataques contra familiares. Sob forte pressão emocional, a servidora contraiu empréstimos, utilizou cartões de crédito, resgatou recursos da previdência privada, comprometeu economias destinadas à construção da casa e ainda financiou uma caminhonete em seu nome para uso de pessoas ligadas à suspeita.
O esquema foi interrompido somente após o marido da vítima perceber seu estado emocional, descobrir a situação e procurar a Polícia Civil.
As investigações apontam que a servidora transferiu R$ 1.132.680 diretamente para a conta da principal investigada. A confirmação ocorreu após a quebra do sigilo bancário e análise financeira realizada pelos investigadores.
O rastreamento das movimentações identificou repasses para outros integrantes do grupo, movimentações incompatíveis com a renda declarada, elevado volume de saques em dinheiro e indícios da utilização de contas de terceiros para ocultação patrimonial, o que pode caracterizar crimes como lavagem de dinheiro.
As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, com parecer favorável do Ministério Público. Também foi determinada a apreensão de veículos, bens e equipamentos eletrônicos que poderão contribuir para o avanço das investigações.
Segundo a Polícia Civil, o nome Laço Oculto faz referência ao vínculo de medo, dependência psicológica e manipulação criado para manter a vítima sob constante controle, permitindo que o esquema de extorsão permanecesse ativo por anos.
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