Polícia

POLÍCIA CIVIL INDICIA DOIS POR EXECUÇÃO DE JOVEM DE 20 ANOS EM POXORÉU

Investigação aponta que homicídio foi planejado por integrantes de organização criminosa; vítima foi atingida por pelo menos quatro disparos em um bar na MT-130

Da Redação
Foto: Polícia Civil de Mato Grosso

A Polícia Civil concluiu, nesta quinta-feira (13), o inquérito que apurou o assassinato de uma jovem de 20 anos, executada na madrugada de 10 de maio, em Poxoréu. Dois adultos foram indiciados por envolvimento no homicídio, que, segundo a investigação, teria sido planejado e articulado por integrantes de uma organização criminosa.

A vítima estava em uma casa noturna localizada às margens da MT-130 quando um homem armado entrou no estabelecimento e efetuou diversos disparos. Na sequência, o suspeito fugiu do local.

Exames periciais apontaram pelo menos cinco tiros realizados a curta distância. Quatro atingiram regiões vitais da jovem, sendo que um disparo teria sido efetuado quando ela já estava caída.

FUGA FOI RECONSTRUÍDA

Uma das primeiras linhas da investigação foi a identificação do trajeto utilizado na fuga. Conforme a Polícia Civil, o executor deixou o estabelecimento em uma motocicleta Honda XRE 300 preta, aparentemente sem placa.

O veículo foi posteriormente abandonado em uma área conhecida como “lixão”, em Poxoréu, e localizado pelos investigadores horas depois. A suspeita é de que o autor dos disparos tenha continuado a fuga em um Hyundai HB20S de cor cinza.

Os investigadores também reconstruíram os momentos anteriores ao homicídio e analisaram pessoas próximas à vítima.

Na noite do crime, a jovem estava acompanhada de uma adolescente. As duas participaram de uma confraternização antes de seguirem para a casa noturna onde ocorreu a execução.

SUSPEITA DE REPASSE DE INFORMAÇÕES

De acordo com o inquérito, a vítima mantinha contato com integrantes das forças de segurança e auxiliava a mãe, que prestava serviços no quartel da Polícia Militar.

A investigação apontou que integrantes de uma facção criminosa passaram a suspeitar que a jovem repassava informações às forças de segurança sobre atividades relacionadas ao tráfico de drogas em Poxoréu.

Essa suspeita teria sido utilizada como motivação para determinar a execução da jovem.

PLANO TERIA SIDO ARTICULADO ANTES DO CRIME

A análise de celulares de pessoas próximas à vítima trouxe novos elementos para a investigação. Segundo a Polícia Civil, a adolescente que acompanhava a jovem teria conhecimento prévio da ação.

Conforme o inquérito, a menor teria recebido uma chamada de vídeo de uma pessoa que estava presa e permaneceu ao lado da vítima para evitar que qualquer suspeita fosse levantada.

Os elementos reunidos indicaram uma possível divisão de tarefas entre os envolvidos, com pessoas responsáveis por monitorar a vítima, informar sua localização, executar o homicídio e garantir a fuga.

OPERAÇÃO ELO OCULTO

Em 13 de julho, a Polícia Civil deflagrou a Operação Elo Oculto, com o cumprimento de oito ordens judiciais, entre prisões temporárias e mandados de busca e apreensão.

A ação teve como objetivo identificar pessoas relacionadas ao homicídio e recolher dispositivos eletrônicos que pudessem contribuir para esclarecer a dinâmica do crime.

Um dos presos temporariamente foi apontado como responsável por auxiliar na retirada do executor do local. A análise de um celular apreendido indicou, segundo os investigadores, que a participação dele teria começado antes da execução.

As mensagens examinadas mostraram que o investigado teria recebido informações sobre a movimentação da vítima e o destino para onde ela seguiria. Ele também teria sido orientado sobre onde aguardar o executor e chegou a questionar qual motocicleta seria utilizada durante a fuga.

Depois do assassinato, foram identificadas conversas relacionadas à tentativa de apagar vestígios digitais. Entre as orientações estavam a formatação de um aparelho, a exclusão do aplicativo WhatsApp e a utilização de outro número de telefone.

OPERAÇÃO VÉU DE ÍSIS

Com o avanço da perícia nos dispositivos apreendidos, a Polícia Civil deflagrou a Operação Véu de Ísis, voltada ao aprofundamento das informações sobre a coordenação do homicídio, a comunicação entre os envolvidos, a fuga e a possível motivação.

Os novos dados apontaram, segundo a investigação, para uma estrutura com funções distribuídas e mecanismos destinados a dificultar a identificação dos participantes e eliminar provas digitais.

A apuração também identificou indícios de que uma liderança de facção criminosa, mesmo estando presa, mantinha comunicação com pessoas em liberdade e teria influência sobre ações realizadas fora do sistema prisional.

DOIS ADULTOS FORAM INDICIADOS

Ao finalizar o inquérito, a Polícia Civil concluiu que o assassinato teria sido previamente planejado e estaria relacionado à atuação de uma organização criminosa.

Dois adultos já identificados foram indiciados por homicídio qualificado, por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de organização criminosa.

Um deles é apontado como responsável pelo apoio na fuga do executor. O outro é investigado como liderança e articulador da ação criminosa.

A situação envolvendo a adolescente identificada durante as diligências será encaminhada para as providências previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

As investigações continuam para identificar o autor dos disparos e esclarecer a eventual participação de outras pessoas na execução.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo