Blog
Tendência

Polícia Civil mira liderança de facção que comandava crimes de dentro de presídio em Cuiabá

Operação cumpre 12 ordens judiciais, bloqueia até R$ 10 milhões e tenta impedir progressão de regime de investigado

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (5), a Operação Roleta Russa, com foco no combate a uma facção criminosa que atuava em Cuiabá. A ação tem como principal alvo um integrante apontado como liderança do grupo, que, mesmo preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), continuava coordenando atividades ilícitas.

Ao todo, foram expedidas 12 ordens judiciais, incluindo dois mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão, além do sequestro de um veículo de alto padrão e o bloqueio de contas bancárias que podem chegar ao limite de R$ 10 milhões. As determinações foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Cuiabá.

De acordo com as investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), o principal investigado exercia influência direta sobre ações criminosas mesmo em regime fechado. Ele havia atingido recentemente os requisitos para progressão ao semiaberto, mas um novo mandado foi expedido justamente para evitar sua saída do sistema prisional.

Outro alvo da operação é um parente do suspeito, apontado como responsável por executar as ordens fora da prisão e atuar como braço operacional da organização criminosa.

Atuação e domínio territorial

As apurações indicam que o grupo tentava consolidar domínio em regiões estratégicas de Cuiabá, como os bairros Planalto e Altos da Serra. Mesmo custodiado, o investigado teria continuado a dar ordens relacionadas ao tráfico de drogas, extorsões e outras práticas ilegais.

Ainda segundo a Polícia Civil, ele também participava de negociações com fornecedores internacionais, inclusive com ligação com a Bolívia, além de controlar a distribuição e os lucros do tráfico na capital.

Lavagem de dinheiro e patrimônio oculto

As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 20 milhões em um período de três anos. Parte desse valor teria sido utilizada para sustentar familiares e ocultar bens adquiridos com recursos ilícitos.

A esposa do investigado também é citada no esquema, sendo apontada como responsável por manter patrimônio incompatível com a renda declarada. Entre os bens está um veículo de luxo, que foi alvo de sequestro durante a operação.

Além disso, seis contas bancárias foram bloqueadas por determinação judicial, incluindo a de uma advogada que já havia sido investigada em uma operação anterior.

Integração estadual e nacional

A Operação Roleta Russa integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026, dentro da Operação Pharus, vinculada ao programa Tolerância Zero, que visa intensificar o combate às facções criminosas em Mato Grosso.

A ação também faz parte da Operação Nacional da Rede de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A iniciativa reúne forças especializadas de todo o país para atuação conjunta no enfrentamento ao crime organizado.

Autor: Luciana Bueno
Foto: PCMT

veja a galeria ↙️

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo