Período entre agosto e setembro reúne baixa umidade, temperaturas próximas dos 40°C e vegetação seca, aumentando a possibilidade de propagação rápida do fogo
DA REDAÇÃO
Foto: Aprosoja MT/Bruno Lopes
O período mais crítico da estiagem em Mato Grosso chegou acompanhado de uma combinação de fatores que amplia o risco de incêndios em áreas rurais. Com a umidade relativa do ar abaixo de 20%, temperaturas próximas dos 40°C e vegetação ressecada, produtores precisam reforçar as medidas de prevenção e monitoramento das propriedades.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) tem orientado os associados sobre os cuidados necessários durante a temporada de seca e ressalta a importância de ações antecipadas para reduzir possíveis danos provocados pelo fogo.
Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontaram 871 registros de fogo ativo em Mato Grosso entre 1º e 21 de agosto. No mesmo período, o Estado ficou atrás apenas do Pará, que contabilizou 987 ocorrências.
Entre os municípios com maior número de registros estão Jangada, Paranatinga e Nova Santa Helena. Em Jangada, a situação levou a prefeitura a decretar emergência no dia 17 de agosto, diante do avanço das chamas sobre áreas urbanas e rurais.
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar permanecem mobilizadas nas localidades, com utilização de aeronaves e apoio de produtores rurais no combate aos incêndios.
PREVENÇÃO ANTES DO PERÍODO CRÍTICO
O vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, destaca que a prevenção começa antes da intensificação da seca.
Segundo ele, a entidade realiza campanhas antecipadas para orientar os produtores sobre a preparação das propriedades, permitindo uma resposta mais rápida caso ocorram focos de incêndio.
A preocupação ganha ainda mais importância em Mato Grosso devido às características ambientais do Estado, que reúne áreas de Amazônia, Cerrado e Pantanal. Cada bioma apresenta condições específicas para a ocorrência e propagação do fogo.
ÁREAS PRODUTIVAS TAMBÉM PODEM SER ATINGIDAS
A Aprosoja MT chama atenção para a origem de parte dos incêndios registrados durante o período de estiagem. Conforme a entidade, mapas de calor indicam concentração de focos fora das áreas diretamente destinadas à produção agropecuária.
Luiz Pedro Bier afirma que incêndios podem começar às margens de rodovias e, impulsionados pelas condições climáticas, avançar para propriedades rurais.
Além dos riscos ambientais, o fogo pode provocar prejuízos econômicos aos produtores, atingindo estruturas, máquinas e áreas de produção.
Outro impacto apontado pela associação está relacionado à matéria orgânica presente no solo. O calor intenso pode acelerar sua mineralização e comprometer um trabalho de conservação que leva anos para ser construído, afetando diretamente a qualidade do solo e a produtividade de culturas como soja e milho.
ACEIROS E TECNOLOGIA NO COMBATE
Entre as medidas recomendadas estão a construção antecipada de aceiros e o monitoramento constante das propriedades.
A utilização de ferramentas digitais também passou a integrar as estratégias de prevenção. Aplicativos capazes de emitir alertas sobre possíveis focos de incêndio podem ajudar na identificação rápida das ocorrências e permitir que equipes atuem antes que as chamas ganhem proporções maiores.
A Aprosoja MT integra o Comitê Estadual de Gestão do Fogo e mantém parceria com o Corpo de Bombeiros Militar em ações voltadas à prevenção e preservação.
A entidade também disponibiliza uma cartilha de Manejo Integrado do Fogo, com orientações para preparação das propriedades, prevenção e procedimentos diante de ocorrências.



