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SOJA: PRIMEIROS 30 DIAS SÃO DECISIVOS PARA A PRODUTIVIDADE E EXIGEM ATENÇÃO REDOBRADA EM MT

Pesquisadores da Aprosoja MT alertam para os cuidados com plantas daninhas, pragas, nutrição e manejo do solo durante o estabelecimento da lavoura; decisões nessa fase podem impactar o resultado da safra.

DA REDAÇÃO | FOTO: APROSOJA MT

As primeiras semanas após o plantio da soja exigem atenção redobrada dos produtores rurais de Mato Grosso. Com o avanço da semeadura e a emergência das plantas, essa etapa se torna determinante para o desenvolvimento das raízes, a formação de um estande uniforme e a construção do potencial produtivo da lavoura.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) alerta que problemas identificados no início do ciclo podem comprometer o desempenho da cultura e, em alguns casos, ser difíceis de corrigir posteriormente. Por isso, o acompanhamento frequente da área, desde a emergência, é fundamental para identificar falhas e orientar as decisões de manejo.

Segundo Rodrigo Knevitz Hammerschmitt, coordenador de pesquisa do Centro Tecnológico Parecis (CTECNO Parecis), da Aprosoja MT e do Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), os primeiros 30 dias são fundamentais para o estabelecimento da lavoura.

O trabalho começa antes mesmo da semeadura, com a escolha de sementes de qualidade, alto poder germinativo e vigor. Depois do plantio, o produtor precisa acompanhar a emergência, verificar a população de plantas, identificar possíveis falhas e observar o desenvolvimento inicial das raízes.

O vice-presidente Norte da Aprosoja MT, Diogo Balistieri, também destaca a influência das condições climáticas e da tecnologia empregada no tratamento de sementes.

De acordo com ele, uma das primeiras medidas após a emergência é avaliar quantas plantas efetivamente se estabeleceram na área. A decisão de realizar ou não o replantio exige análise criteriosa, especialmente diante dos custos envolvidos com sementes e tratamento, que, segundo o representante, podem chegar perto de 10% do custo da lavoura.

PLANTAS DANINHAS AMEAÇAM O DESENVOLVIMENTO DA SOJA

Entre os principais desafios do início do ciclo está o controle das plantas daninhas, que competem com a soja por água, luz e nutrientes. Quando não são manejadas adequadamente, essas espécies podem reduzir a produtividade, dificultar a colheita, aumentar a presença de impurezas nos grãos e favorecer a disseminação de sementes na propriedade.

André Somavilla, coordenador de pesquisa do Centro Tecnológico Araguaia (CTECNO Araguaia), da Aprosoja MT e do Iagro MT, explica que o período de maior atenção se estende, de modo geral, até o fechamento das linhas da cultura.

O pesquisador ressalta, entretanto, que a competição pode causar perdas em diferentes fases do desenvolvimento da soja. Por isso, o controle precoce é uma das principais estratégias para reduzir os prejuízos.

O planejamento deve considerar as tecnologias de resistência a herbicidas disponíveis nas cultivares utilizadas, com escolha adequada dos produtos e ajuste das estratégias de aplicação.

Outro cuidado envolve os herbicidas pré-emergentes. As doses precisam ser definidas considerando a textura do solo, pois áreas argilosas apresentam comportamento diferente das arenosas e siltosas.

Rodrigo Knevitz Hammerschmitt reforça que as plantas daninhas aproveitam rapidamente os espaços vazios e as falhas no estande da soja. Dessa forma, atrasos no manejo podem ampliar a competição e comprometer a eficiência das medidas de controle.

MONITORAMENTO DE PRAGAS EXIGE DIAGNÓSTICO

Lagartas, besouros, percevejos e pragas presentes no solo também podem prejudicar o estabelecimento da lavoura. Embora o tratamento de sementes seja uma ferramenta importante de proteção, ele não elimina a necessidade de monitoramento frequente.

A recomendação é investigar a origem dos problemas antes de realizar aplicações de defensivos agrícolas. Plantas mortas, falhas de emergência ou exemplares com desenvolvimento anormal podem ter causas distintas, e o diagnóstico correto ajuda a evitar intervenções desnecessárias.

Em solos siltosos, por exemplo, o encrostamento superficial provocado pelas chuvas pode dificultar a emergência das plantas e ser confundido com danos causados por pragas.

Distinguir problemas físicos do solo de ataques biológicos é importante para que o produtor adote a medida adequada e não eleve os custos sem necessidade.

NODULAÇÃO E NUTRIÇÃO DAS PLANTAS

Outro ponto importante no início do ciclo é a fixação biológica de nitrogênio, processo realizado pela associação entre a soja e bactérias que formam nódulos nas raízes e ajudam a disponibilizar o nutriente para a planta.

Entre 20 e 30 dias após a emergência, a orientação é retirar cuidadosamente algumas plantas para verificar a formação e a atividade desses nódulos. Quando estão ativos, eles normalmente apresentam coloração rosada ou avermelhada em seu interior.

O acompanhamento permite avaliar se a associação está funcionando adequadamente e se a lavoura apresenta condições favoráveis ao desenvolvimento.

Os pesquisadores também alertam para a necessidade de não depender exclusivamente de aplicações foliares para corrigir problemas nutricionais. A nutrição da soja está diretamente relacionada à fertilidade do solo, ao desenvolvimento do sistema radicular e à eficiência da fixação biológica de nitrogênio.

CRONOGRAMA DE MANEJO EXIGE PLANEJAMENTO

Depois do estabelecimento da lavoura, o cumprimento das etapas previstas no planejamento ajuda a preservar o potencial produtivo. Entre as práticas mencionadas pelos pesquisadores estão a adubação de cobertura, o monitoramento de pragas e plantas daninhas e o acompanhamento das condições fitossanitárias.

De acordo com as orientações apresentadas pela Aprosoja MT, a adubação de cobertura com cloreto de potássio pode ser programada entre 15 e 20 dias após a emergência, enquanto o início das aplicações de fungicidas é previsto entre 20 e 25 dias, conforme a estratégia de manejo e as condições da lavoura.

Aplicações foliares de nutrientes, como cobalto, molibdênio e manganês, devem ser consideradas quando houver necessidade. Já o controle de pragas e plantas daninhas precisa seguir os resultados do monitoramento e as recomendações técnicas para cada situação.

O planejamento das operações é essencial para evitar atrasos que possam prejudicar o desenvolvimento da cultura.

CUSTOS DE PRODUÇÃO PRESSIONAM PRODUTORES

Além dos desafios agronômicos, a situação financeira de parte dos produtores tem influenciado as decisões nesta safra, especialmente em relação à adubação.

Diogo Balistieri relata que alguns agricultores optaram por reduzir ou até retirar completamente a aplicação de fertilizantes para diminuir os custos de produção.

O vice-presidente Norte da Aprosoja MT pondera que a redução dos gastos imediatos precisa ser avaliada em conjunto com os possíveis impactos sobre a produtividade.

Segundo ele, áreas que receberam adubação adequada durante vários anos podem apresentar reservas de fertilidade no solo, permitindo resultados satisfatórios mesmo com a redução de insumos. Isso, porém, não significa que a retirada da adubação seja uma estratégia sem riscos.

A decisão precisa considerar as condições de cada propriedade, o histórico de manejo, a fertilidade do solo e o equilíbrio entre investimento e retorno esperado.

CADA TIPO DE SOLO EXIGE UMA ESTRATÉGIA

As diferenças entre os solos de Mato Grosso também influenciam o manejo inicial da soja. As características físicas e químicas de cada área determinam a capacidade de armazenamento de água, a disponibilidade de nutrientes e os riscos enfrentados pelas plantas.

Solos arenosos: apresentam menor capacidade de retenção de água e podem expor a cultura a um estresse hídrico mais rápido quando há falta de chuva. Também exigem atenção às perdas de nutrientes, o que pode favorecer estratégias de parcelamento da adubação. A semeadura antecipada deve ser avaliada com cautela quando as chuvas ainda são irregulares.

Solos siltosos: podem desenvolver uma camada endurecida na superfície após chuvas intensas, fenômeno conhecido como selamento superficial. O problema dificulta a emergência das plantas e reduz a infiltração da água, favorecendo o escoamento superficial e prejudicando a uniformidade do estande.

Solos argilosos: geralmente retêm mais água e nutrientes. Apesar dessas características, exigem atenção à compactação, especialmente quando há tráfego de máquinas em condições de solo úmido, situação que pode limitar o desenvolvimento das raízes.

Para Rodrigo Knevitz Hammerschmitt, não existe uma estratégia única que funcione para todas as áreas. Conhecer as limitações de cada solo é fundamental para definir o manejo mais adequado e reduzir os riscos ao longo do ciclo.

ERROS QUE PODEM COMPROMETER A SAFRA

Entre os equívocos que devem ser evitados estão a aplicação de inseticidas sem monitoramento adequado, o atraso no controle de plantas daninhas e a adoção de práticas que desconsideram as características do solo.

A avaliação constante da lavoura permite identificar problemas ainda no início e direcionar os recursos para as intervenções realmente necessárias.

A recomendação da Aprosoja MT é que o produtor acompanhe o desenvolvimento das plantas desde a emergência, observe as condições climáticas e mantenha o planejamento alinhado às características de cada área.

O cuidado nas primeiras semanas não elimina os riscos da safra, mas ajuda a reduzir perdas evitáveis e a preservar o potencial produtivo da soja em Mato Grosso.

O Povo MT segue acompanhando as orientações técnicas e os desafios que influenciam a produção agrícola no estado.

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