Startups em MT são lideradas por profissionais altamente qualificados e avançam no agro e inovação, aponta Sebrae

Pesquisa revela que metade dos empreendedores tem pós-graduação e ecossistema já se espalha por diferentes regiões do estado
DA REDAÇÃO / Foto: Sebrae MT
Profissionais com alto nível de escolaridade estão cada vez mais migrando para o empreendedorismo e impulsionando a criação de startups em Mato Grosso, especialmente em setores ligados à inovação e ao agronegócio. É o que aponta levantamento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso (Sebrae/MT).
Segundo a pesquisa, cerca de 50% dos fundadores de startups no estado possuem pós-graduação, mestrado ou doutorado, indicando um perfil de empreendedores altamente qualificados à frente dos novos negócios. Além disso, 60,1% já tiveram experiência empresarial anterior, e quase metade desse grupo atuou em áreas semelhantes às atuais startups.
De acordo com o gerente de Inovação do Sebrae/MT, Leandro Gonçalves, o cenário demonstra uma evolução consistente no ecossistema local.
“Estamos com profissionais cada vez mais qualificados transformando conhecimento em negócios inovadores. Mais do que formação, essas startups nascem para resolver problemas reais da economia e das regiões do estado”, afirmou.
A força do agronegócio mato-grossense aparece como principal motor desse movimento, impulsionando soluções tecnológicas voltadas à produtividade e à eficiência no campo. O impacto, no entanto, já se estende também para áreas como educação e serviços.
De acordo com o estudo, cerca de 70% das startups têm como principal mercado consumidores dentro do próprio estado, reforçando o caráter regional das soluções desenvolvidas.
O gestor estadual de startups do Sebrae/MT, Felipe Cruz, destaca que o ecossistema tem atuado como ponte entre o setor produtivo e as novas tecnologias.
“As startups conectam o agro a ferramentas como inteligência artificial, automação, análise de dados e drones, aumentando a competitividade e atraindo novos talentos para o setor”, explicou.
Ele também ressalta que a inovação ajuda a enfrentar desafios como a sucessão familiar no campo e a permanência de jovens no agronegócio, ao criar novas oportunidades profissionais ligadas à tecnologia.
O levantamento mostra ainda que o ecossistema de startups no estado está em estágio inicial de desenvolvimento: 47,6% estão na fase de ideação, 27% em validação e 19,1% em tração. Apenas 1,2% já atingiram escala.
Entre os modelos de negócio, predominam as relações B2B (35,2%), seguidas por B2C (29,1%).
A pesquisa também aponta que a inovação já ultrapassa a capital. Cuiabá lidera com 31,8% das startups, seguida por Cáceres (15,8%), Sinop (9,7%), Barra do Garças (7,5%), Rondonópolis (5,5%), Juína (3,8%) e Tangará da Serra (3,8%). Mais de 60% das startups atuam em múltiplos municípios.
Apesar do crescimento, os desafios ainda são significativos. A falta de recursos próprios (72,5%), burocracia e custo do ambiente de negócios (46,2%) e dificuldades técnicas para desenvolver produtos (37,5%) estão entre os principais entraves na fase inicial.
No estágio de operação, a falta de capital de giro (37,5%), dificuldade de acesso a crédito (33,8%) e baixa base de clientes (28,7%) são os principais obstáculos. Quase metade das startups (47,5%) ainda não possui faturamento, o que evidencia o desafio de monetização e escala no setor.
O estudo reforça que, apesar das dificuldades, Mato Grosso vem consolidando um ecossistema de inovação em expansão, com forte conexão entre conhecimento acadêmico, experiência de mercado e demandas reais da economia regional.



