MEU PAI TEM NOME TRANSFORMA HISTÓRIAS E GARANTE RECONHECIMENTO DE FILIAÇÃO EM MATO GROSSO

Ação da Defensoria Pública reuniu famílias em Cuiabá e em diversas cidades do Estado para oficializar vínculos de paternidade e fortalecer laços familiares.
DA REDAÇÃO | Foto: DPEMT
A 5ª edição do projeto Meu Pai Tem Nome, promovido pela Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), foi marcada por histórias de emoção e recomeços neste sábado (1º), em Cuiabá. A iniciativa garantiu o reconhecimento de vínculos de filiação e proporcionou a oficialização de relações construídas ao longo da vida.
Uma das histórias que mais emocionou durante o evento foi a de Dirson Corrêa da Costa, de 68 anos, e Ana Paula da Rocha Pereira Corrêa, de 25 anos. Apesar de não ser o pai biológico, Dirson criou Ana Paula desde que ela tinha apenas dois meses de idade, oferecendo amor, cuidado e apoio durante toda a infância e juventude.
Agora, já maior de idade, Ana Paula decidiu oficializar esse vínculo por meio do reconhecimento socioafetivo.
“Hoje vamos reconhecer perante a lei o que sempre existiu no coração. Quero levar o nome dele na minha certidão e também transmitir esse sobrenome para minha filha de dois anos”, afirmou.
Após audiência de mediação e conciliação realizada pela Defensoria, o pedido será encaminhado à Justiça. Com a decisão judicial, o Cartório de Registro Civil fará a inclusão do nome de Dirson como pai na certidão de nascimento de Ana Paula.
REENCONTRO APÓS 48 ANOS
Outra história marcante foi a de Clely Alves Torres, de 48 anos, que conheceu o pai biológico apenas neste ano, no município de Alto Garças.
Segundo ela, a mãe nunca informou ao pai sobre a gravidez. Após o reencontro, ambos decidiram participar do projeto e realizar gratuitamente o exame de DNA oferecido pela Defensoria Pública.
Mesmo morando em cidades diferentes, pai e filha participaram da audiência por videoconferência.
“Hoje encerro um ciclo e começo outro. Sempre tive um pai de criação maravilhoso, mas não ter o nome do pai na certidão era uma dor que finalmente está sendo superada”, relatou.
MAIS INSCRIÇÕES EM 2026
Coordenado nacionalmente pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), o projeto busca garantir o direito à identidade e reduzir o número de pessoas sem o nome do pai no registro civil.
Neste ano, o programa contabilizou 278 inscrições em 17 núcleos da Defensoria Pública, crescimento de 72% em relação a 2025, quando foram registradas 161 inscrições.
Do total de atendimentos, 196 casos seguiram para exames de DNA e 82 foram resolvidos por reconhecimento voluntário de paternidade, demonstrando que grande parte das famílias conseguiu solucionar a situação de forma consensual.
Além do reconhecimento de filiação, o projeto oferece gratuitamente exames de DNA, acordos sobre pensão alimentícia, guarda, convivência familiar, investigação de paternidade e outros serviços relacionados ao Direito de Família.
Para a defensora pública Elianeth Nazário, a iniciativa vai muito além dos procedimentos legais.
“Hoje ninguém sai da Defensoria do mesmo jeito que entrou. São histórias que transformam vidas e reforçam nossa missão de garantir acesso à Justiça e promover a dignidade das famílias.”
Cuiabá liderou o número de atendimentos, com 104 inscrições, seguida por Várzea Grande (31), Rondonópolis (23) e Sorriso (23). A ação também ocorreu em diversos municípios do interior, fortalecendo o acesso à Justiça em todas as regiões do Estado.



