Última sessão da desembargadora Maria Erotides no TJMT é marcada por homenagens, emoção e reconhecimento

Magistrada encerra trajetória de mais de 40 anos no Judiciário mato-grossense cercada por colegas, servidores e relatos de gratidão
Da Redação | Foto: TJMT
A última sessão da desembargadora Maria Erotides Kneip nas Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso foi marcada por emoção, homenagens e reconhecimento à trajetória construída ao longo de mais de quatro décadas dedicadas à magistratura mato-grossense.
A cerimônia ocorreu na manhã da última quarta-feira (21) e reuniu magistrados, servidores, assessores e amigos da desembargadora, que compartilharam relatos de convivência, aprendizado e admiração pela atuação firme, humana e ética da magistrada.
A sessão foi presidida pelo desembargador Márcio Vidal e contou com a participação da desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, dos desembargadores Rodrigo Roberto Curvo, Deosdete Cruz Júnior e Jones Gattass Dias, além do juiz convocado Antônio Veloso Peleja Júnior.
Durante as homenagens, colegas destacaram não apenas a magistrada respeitada dentro do Judiciário, mas também a mulher acolhedora, sensível e comprometida com causas sociais e com a defesa dos direitos humanos.
O desembargador Márcio Vidal afirmou que Maria Erotides deixa um legado de coragem, ética e compromisso com a Justiça.
“A sociedade brasileira e mato-grossense está muito carente de pessoas da envergadura da desembargadora Maria Erotides Kneip. Uma mulher valente, inteligente, competente e com enorme estatura moral e ética”, declarou.
O desembargador Jones Gattass Dias relembrou que conheceu a magistrada ainda nos tempos da faculdade de Direito da UFMT, quando ela já se destacava pela atuação firme no Tribunal do Júri de Várzea Grande.
Segundo ele, acompanhar as sessões presididas por Maria Erotides serviu de inspiração para seguir carreira na magistratura.
A desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos também destacou a amizade construída ao longo dos anos e a importância da colega em sua trajetória profissional.
“Ela foi uma grande incentivadora da minha caminhada na magistratura até eu chegar ao cargo de desembargadora. Tenho profunda gratidão pelos ensinamentos e pelo exemplo”, afirmou emocionada.
Já o juiz Antônio Veloso Peleja Júnior definiu Maria Erotides como “um farol para a magistratura” e ressaltou sua atuação intensa na defesa dos direitos das mulheres e das pessoas mais vulneráveis.
Emocionada, Maria Erotides agradeceu pelas homenagens e afirmou que o momento representou uma grande celebração de sua história profissional.
“Passou um filme da minha vida profissional e eu concluí que fui muito privilegiada por Deus por ter pessoas tão boas na minha vida”, declarou.
Ao ser questionada sobre qual conselho deixaria para os novos magistrados, respondeu de forma objetiva: “Respeito e estudo. Cada pessoa tem sua história e é preciso respeitar sempre. E no Direito, estudar todos os dias, sem exceção.”
Dentro do gabinete, os depoimentos dos assessores e servidores também foram marcados por emoção e gratidão. Muitos definiram a desembargadora como uma figura maternal, acolhedora e inspiradora.
Com 27 anos de convivência profissional, o assessor administrativo Edson de Almeida afirmou que sempre enxergou Maria Erotides como “uma mãezona”. Já a revisora Fabiana Rodrigues destacou o apoio humano recebido ao longo dos anos.
“Muitas vezes ela foi colo, foi apoio e uma verdadeira mãe dentro do gabinete”, disse.
A magistrada ingressou na carreira em 1985 e atuou em diversas comarcas de Mato Grosso, com destaque para Várzea Grande, onde presidiu o Tribunal do Júri por 19 anos. Em 2011, tornou-se desembargadora do TJMT, exercendo também os cargos de corregedora-geral e vice-presidente da Corte.
Reconhecida pela atuação em defesa das mulheres, Maria Erotides também coordenou a Cemulher-MT, coordenadoria voltada ao enfrentamento da violência doméstica e familiar no Estado.




