Mediação da Defensoria Pública transforma conflitos familiares em redes de cuidado em MT

Atuação humanizada evita disputas judiciais e fortalece vínculos familiares por meio do diálogo
Da Redação
Foto/ Alexandre Guimarães
O Dia Nacional da Defensoria Pública e do Defensor Público, celebrado nesta terça-feira (19), destaca a importância do acesso à Justiça para a população vulnerável. Em Mato Grosso, o trabalho desenvolvido pela Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso tem transformado conflitos familiares em soluções construídas por meio do diálogo e da mediação.
Há mais de dez anos atuando na área de conciliação e mediação em Cuiabá, a defensora pública Elianeth Nazário utiliza ferramentas como videoconferência, atendimento humanizado e acordos extrajudiciais para auxiliar famílias a resolverem conflitos de forma mais rápida e menos traumática.
Segundo a defensora, o foco principal é construir soluções que preservem os vínculos familiares e garantam direitos sem a necessidade de longas disputas judiciais.
Um dos casos acompanhados pela Defensoria envolveu uma mãe de 30 anos que buscou atendimento para formalizar o divórcio e organizar a convivência com o filho de 13 anos, que mora em Porto Velho (RO) com o pai.
Após morar em diferentes estados brasileiros, ela afirmou ter encontrado em Cuiabá facilidade no acesso ao atendimento da Defensoria Pública.
“Peguei o número no Google, mandei um WhatsApp e já fui atendida. Foi tudo muito prático”, relatou.
Por meio da mediação virtual, a Defensoria ajudou a construir um acordo amigável que definiu visitas durante férias e feriados, além da pensão alimentícia.
“É uma questão de empatia, para conceder ao filho a oportunidade de conviver tanto com o pai quanto com a mãe”, destacou Elianeth.
Outro caso acompanhado pela 8ª Defensoria do Núcleo de Atendimento ao Público, Conciliação, Mediação e Propositura de Iniciais envolveu os cuidados com uma idosa de 92 anos, em Cuiabá.
A família precisava reorganizar a rotina de cuidados entre cinco filhos que vivem em diferentes cidades e estados. Durante a mediação, foi criado um acordo para dividir responsabilidades financeiras e presenciais, respeitando o desejo da idosa de permanecer sob os cuidados da própria família.
“Muitas vezes o cuidador está exausto. Nossa sociedade não estava preparada para esse envelhecimento rápido da população. A responsabilidade precisa ser compartilhada”, explicou a defensora.
Além das mediações familiares, Elianeth também é idealizadora do projeto “Acolher para Transformar – Justiça desde o berço – Defensoria Pública no Berçário”, desenvolvido no Hospital Santa Helena, em Cuiabá, e participa de mutirões como o “Meu Pai Tem Nome”, voltado ao reconhecimento de paternidade.
Para a defensora pública, o trabalho desenvolvido vai além das questões jurídicas.
“As pessoas compreenderam que podem sentar, conversar e decidir o próprio destino. O trabalho da Defensoria resulta em frutos diretos para o cidadão”, afirmou.



