Produtores de MT conhecem pesquisas sobre água, carbono e pecuária durante missão nos EUA

Comitiva visitou centro de pesquisas da Universidade de Nebraska-Lincoln voltado ao agro e sustentabilidade
Da Redação
Foto/ Eduardo Cardoso
Produtores rurais e presidentes de sindicatos ligados ao agro de Mato Grosso participaram, nesta segunda-feira (18), de uma visita técnica ao centro de pesquisas da Universidade de Nebraska-Lincoln, nos Estados Unidos, onde conheceram estudos aplicados sobre manejo de água, nitrogênio, sequestro de carbono, pastagens e pecuária de corte.
A visita ocorreu na Eastern Nebraska Research, Extension and Education Center (ENREEC), dentro da programação da Missão Técnica EUA 2026.
A agenda marcou o início do bloco técnico da missão no estado de Nebraska, com foco em irrigação, integração lavoura-pecuária, monitoramento ambiental e uso de tecnologia no campo.
Durante o dia, a comitiva acompanhou pesquisas desenvolvidas em confinamento bovino, áreas agrícolas experimentais e sistemas de irrigação e fertilização.
Nos galpões experimentais, os produtores conheceram tecnologias capazes de monitorar o consumo individual dos animais, tempo de permanência no cocho e comportamento por meio de câmeras e sensores. O sistema permite avaliar dietas e tratamentos diferentes em um mesmo ambiente com dados praticamente em tempo real.
Outro ponto que chamou atenção da comitiva foi a presença de brasileiros integrando as equipes da universidade. Estudantes e pesquisadores formados no Brasil participam de estudos voltados à nutrição animal, manejo e confinamento.
Os pesquisadores da universidade também destacaram que os resultados dos estudos realizados são públicos, inclusive quando envolvem empresas parceiras.
“Se uma empresa traz um produto para ser testado e o resultado não é o esperado, esse resultado também é publicado”, explicou Joshua Benton.
Durante a programação, o micrometeorologista Andy Suyker apresentou pesquisas relacionadas ao sequestro de carbono no solo e ao monitoramento ambiental em áreas agrícolas.
Segundo ele, equipamentos instalados no campo medem continuamente velocidade do vento, fluxo de carbono e vapor d’água para avaliar os impactos do manejo agrícola ao longo do tempo.
Na área de tecnologia agrícola, o pesquisador Tyler Smith apresentou ferramentas de irrigação e manejo de nitrogênio integradas com imagens de satélite e sistemas de aplicação automatizados.
De acordo com Smith, em alguns cenários os testes conseguiram reduzir em até 50% a aplicação de fertilizantes sem comprometer a produtividade das lavouras.
A pesquisadora do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Ariel Freidenreich, também apresentou experimentos com irrigação subterrânea, fertirrigação e rotação de culturas.
O presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, afirmou que muitas das tecnologias observadas podem ser adaptadas à realidade de Mato Grosso.
“O que vimos aqui não é uma realidade distante de Mato Grosso. Muita coisa pode ser adaptada e replicada nas nossas propriedades. O principal ponto é a cooperação entre universidade, governo, empresas e produtores para transformar pesquisa em soluções práticas para o campo”, destacou.
A programação da Missão Técnica EUA 2026 continua nesta terça-feira (19), com visitas ao campus da Universidade de Nebraska-Lincoln e a institutos voltados a pesquisas sobre água, alimentos e produção agropecuária.



