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Polícia Civil cumpre 48 ordens judiciais em MT e mira quadrilha do golpe do “Falso Executivo”

Operação Interface, de caráter interestadual, desarticula esquema de estelionato eletrônico que causou prejuízo superior a R$ 193 mil a empresa do Rio Grande do Sul

Da Redação | Foto: Polícia Civil-MT

A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu 48 ordens judiciais na manhã desta terça-feira (8), durante a Operação Interface, deflagrada em conjunto com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado no golpe conhecido como “Falso Executivo”.

A ofensiva integra uma ação interestadual que, no total, cumpre 87 ordens judiciais, incluindo 60 mandados de busca e apreensão e 27 de prisão, nos estados de Mato Grosso e Rio Grande do Norte. Também foram determinados bloqueios de contas bancárias ligadas aos investigados.

Em Mato Grosso, a operação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá e resultou no cumprimento de 32 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão, com alvos concentrados em Cuiabá e Várzea Grande.

As ações contaram com apoio de diversas unidades da Polícia Civil, entre elas a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a Delegacia de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DERFVA) e a 2ª Delegacia de Polícia da Capital.

As investigações tiveram origem no Rio Grande do Sul, conduzidas pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, e revelaram a atuação de uma rede criminosa com ramificações em diferentes estados, utilizando estratégias de engenharia social para enganar vítimas no ambiente corporativo.

O esquema consistia em se passar por executivos de empresas por meio de aplicativos de mensagens, utilizando fotos e informações reais de dirigentes para solicitar transferências bancárias fraudulentas. Em um dos casos investigados, uma empresa do setor industrial gaúcho sofreu prejuízo superior a R$ 193 mil.

De acordo com a apuração, a vítima acreditou estar seguindo ordens legítimas de um superior hierárquico, o que facilitou a execução das transferências para contas controladas pelo grupo criminoso.

A investigação identificou ainda uma estrutura organizada dentro da quadrilha, com divisão de funções entre “conteiros”, responsáveis por ceder contas bancárias, “tripeiros”, que recrutavam esses intermediários, além de articuladores e executores do golpe.

Os valores obtidos eram rapidamente pulverizados em diversas contas bancárias espalhadas pelo país, estratégia usada para dificultar o rastreamento e o bloqueio dos recursos.

Segundo a Polícia Civil, o grupo também utilizava contas digitais de diferentes instituições financeiras, ampliando a complexidade das operações de investigação e recuperação dos valores.

As apurações apontam que o núcleo principal da quadrilha atuava a partir de Mato Grosso, especialmente na região de Cuiabá, com envio dos recursos para outros estados após a consumação dos golpes.

A Operação Interface contou ainda com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, reforçando a integração entre forças policiais no combate a crimes digitais.

As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar a análise do fluxo financeiro utilizado pela organização criminosa.

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