ALMT debate impactos sociais e ambientais da inteligência artificial em reunião sobre Agenda 2030

Especialista aponta desafios relacionados ao mercado de trabalho, consumo de recursos naturais e desigualdades reproduzidas por sistemas de IA
Da Redação
Foto: Hideraldo Costa/ALMT
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu nesta segunda-feira (15) mais uma reunião do Grupo de Trabalho (GT) responsável por acompanhar e propor ações ligadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). O encontro teve como destaque a palestra sobre os impactos sociais e ambientais da inteligência artificial (IA) e seus reflexos no desenvolvimento sustentável.
A apresentação foi conduzida pelo advogado, biólogo e mestrando em Política Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Luiz Felipe Goffi Portela, que abordou os desafios relacionados ao avanço acelerado da tecnologia e seus efeitos sobre a sociedade, o meio ambiente e a economia.
Durante a exposição, o especialista ressaltou que o debate sobre inteligência artificial precisa ir além das vantagens frequentemente associadas à inovação tecnológica. Segundo ele, é necessário compreender toda a estrutura que sustenta esses sistemas e os impactos gerados por sua utilização em larga escala.
Entre os pontos abordados, Portela destacou o elevado consumo de energia e água necessário para manter os chamados data centers, estruturas responsáveis pelo armazenamento e processamento das informações utilizadas pelas plataformas de inteligência artificial.
De acordo com o pesquisador, embora muitos usuários associem a chamada “nuvem” a um ambiente virtual abstrato, a operação da tecnologia depende de uma ampla infraestrutura física espalhada pelo mundo, com custos ambientais significativos.
Mercado de trabalho e desigualdades
Outro tema discutido durante a reunião foi o impacto da inteligência artificial sobre as relações de trabalho. Segundo o palestrante, grande parte dos sistemas depende da atuação de trabalhadores responsáveis pela organização, classificação e tratamento de dados, atividades que muitas vezes são realizadas em condições precárias e com baixa remuneração.
Ele também alertou para a reprodução de desigualdades e preconceitos presentes nos bancos de dados utilizados para treinar os algoritmos. Conforme explicou, sistemas de inteligência artificial podem replicar padrões discriminatórios existentes na sociedade, especialmente em áreas como reconhecimento facial e análise de perfis.
Durante a palestra, foram citados estudos que apontam índices maiores de erro em sistemas de reconhecimento facial quando aplicados a mulheres negras, além de casos registrados no Brasil envolvendo abordagens indevidas motivadas por falhas tecnológicas.
Portela defendeu a necessidade de ampliar mecanismos de fiscalização, auditorias independentes e critérios de transparência para garantir que essas ferramentas sejam utilizadas de forma ética e responsável.
Sugestões para atuação do poder público
O especialista também apresentou propostas que podem contribuir para o acompanhamento do uso da inteligência artificial pelo setor público. Entre as sugestões estão a criação de mecanismos de monitoramento de sistemas automatizados, especialmente nas áreas de segurança pública, reconhecimento facial e prestação de serviços à população.
Além disso, ele destacou a importância de fortalecer a transparência no desenvolvimento e utilização de algoritmos, assegurando que as novas tecnologias estejam alinhadas à proteção dos direitos fundamentais e aos princípios da Agenda 2030.
A relatora do Grupo de Trabalho, Clara Vaz, reforçou a necessidade de aprofundar o debate sobre formas de reduzir os impactos sociais, econômicos e ambientais associados ao crescimento da inteligência artificial.
Já o presidente do GT, André Luis Rufino, afirmou que as discussões realizadas poderão contribuir para futuras iniciativas legislativas relacionadas ao tema em Mato Grosso.
Segundo ele, o grupo foi criado para estudar desafios contemporâneos ligados ao desenvolvimento sustentável e buscar soluções que permitam o avanço tecnológico sem comprometer direitos sociais, ambientais e econômicos.
A reunião integra as ações desenvolvidas pela Assembleia Legislativa para acompanhar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e fortalecer o debate sobre políticas públicas voltadas ao futuro do estado.



