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Equoterapia muda rotina de crianças com TEA em Colíder e revela histórias de superação

A evolução de crianças atendidas no Centro de Equoterapia Salvadego, em Colíder, tem chamado atenção por resultados que vão além do físico e alcançam autonomia, confiança e desenvolvimento emocional.

Luciana Bueno / Foto: Reprodução

“Hoje ele galopa. Para muitas pessoas pode parecer algo simples, mas para nós é uma conquista enorme”. O relato de Fernanda de Paula Souza sintetiza a transformação vivida pelo filho, Augusto, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), após iniciar o acompanhamento terapêutico com cavalos.

Quando começou o tratamento, o menino apresentava dificuldades importantes de coordenação motora e equilíbrio. Atividades comuns no cotidiano infantil exigiam esforço acima do esperado, como lançar uma bola em direção a um alvo ou manter estabilidade em movimentos simples.

Além das limitações motoras, havia insegurança para montar. O contato inicial com o cavalo era marcado por medo e resistência, o que exigiu um trabalho gradual da equipe multiprofissional responsável pelo atendimento.

Com o avanço das sessões, o cenário mudou. O acolhimento contínuo e a metodologia aplicada permitiram que Augusto passasse a demonstrar mais confiança, controle corporal e participação ativa nas atividades. Hoje, ele já monta com segurança e realiza até movimentos de maior complexidade, como o galope.

A mãe destaca que a mudança não se restringe ao aspecto físico. Segundo ela, o filho passou a desenvolver maior autonomia e autoconfiança, refletindo diretamente no comportamento fora das sessões. Para a família, cada progresso representa uma vitória significativa no dia a dia.

Outro caso que reforça os impactos positivos da equoterapia é o de Júlia, de 11 anos, diagnosticada com síndrome de Down. O pai, Sebastião Maciel, relata que a filha apresentou avanços expressivos desde o início do acompanhamento.

Ele afirma que hoje a menina consegue descer do cavalo sozinha e demonstra maior independência durante as atividades. O processo terapêutico, segundo ele, tem contribuído também para o desenvolvimento emocional e social.

Os atendimentos são realizados com apoio técnico especializado e envolvem profissionais de diferentes áreas. O fisioterapeuta Gustavo Panissi, que integra a equipe, explica que a prática vai além do estímulo motor.

Ele destaca que o método trabalha equilíbrio, coordenação e força muscular, mas também atua diretamente na autoestima e na segurança emocional dos praticantes. Cada avanço, mesmo que pequeno, representa impacto significativo para as famílias envolvidas.

A iniciativa é fortalecida pela parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) e o Sindicato Rural de Colíder, que garantem a oferta gratuita do atendimento.

O presidente da entidade local, Jônatas Lima Galadinovic, ressalta que o projeto representa um dos principais programas sociais desenvolvidos na região, com forte impacto comunitário e incentivo à inclusão.

Atualmente, o serviço é realizado no Centro de Equoterapia Salvadego e em uma unidade complementar, atendendo mais de 50 crianças de forma gratuita. A proposta é expandir a iniciativa para outros municípios da região norte de Mato Grosso.

De acordo com o Senar MT, a equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo como instrumento de reabilitação física e desenvolvimento cognitivo, envolvendo áreas da saúde, educação e equitação.

A coordenadora de Promoção Social da instituição, Aline Poliane, reforça que os benefícios incluem melhora da coordenação motora, equilíbrio, fortalecimento muscular, socialização e redução da ansiedade, além de ganhos importantes na autoestima.

Atualmente, o programa apoiado pelo Senar MT e pelos sindicatos rurais alcança 1.126 praticantes em Mato Grosso, distribuídos em 48 centros de atendimento em 36 municípios, com equipes multiprofissionais que atuam de forma integrada no desenvolvimento dos atendidos.

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