Agro

Cinza vegetal vira fertilizante sustentável e impulsiona pesquisa inovadora em Mato Grosso

Projeto apoiado pela Fapemat transforma resíduo agroindustrial em insumo agrícola de alto valor e fortalece práticas sustentáveis no campo

Luciana Bueno | Foto: Fapemat

Um resíduo que por muitos anos representou um desafio ambiental está ganhando uma nova finalidade em Mato Grosso. Pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), desenvolveram uma tecnologia capaz de transformar cinzas de biomassa vegetal em fertilizantes organominerais voltados para a agricultura sustentável.

O material utilizado é proveniente principalmente da queima de madeira em atividades agroindustriais. Antes tratado como passivo ambiental, o resíduo passa a integrar uma cadeia produtiva inovadora, contribuindo para a melhoria da fertilidade dos solos, redução de custos de produção e fortalecimento da economia circular.

Os fertilizantes estão sendo produzidos nas versões granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, transporte e aplicação nas propriedades rurais. Além disso, os estudos demonstram que os nutrientes são liberados gradualmente no solo, permitindo melhor absorção pelas plantas e aumentando a eficiência da adubação.

A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis, e reúne os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”. As iniciativas contam com financiamento do Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, além da parceria do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Segundo a coordenadora, o objetivo é unir desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade, criando soluções acessíveis para o setor produtivo.

“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, afirmou Edna Bonfim.

Mais de 15 anos de estudos

As pesquisas tiveram início em 2009, dentro do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve trabalhos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.

Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e até contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados positivos já foram observados em diversas culturas, como feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.

Além dos benefícios agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais convencionais, tornando os sistemas produtivos mais eficientes e economicamente viáveis.

Ganhos ambientais e econômicos

O reaproveitamento da cinza vegetal também reduz impactos ambientais relacionados ao descarte inadequado do resíduo. Com a transformação em fertilizante, o material deixa de representar um possível risco ambiental e passa a gerar valor econômico para a cadeia produtiva.

A tecnologia desenvolvida em Mato Grosso reforça o compromisso com práticas sustentáveis, incentiva a inovação no campo e cria alternativas adaptadas à realidade agrícola do Estado.

Reconhecimento científico

Os resultados alcançados já ultrapassaram os limites dos laboratórios e ganharam destaque na comunidade científica. As pesquisas geraram publicações em periódicos de relevância nacional e internacional, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso.

O reconhecimento fortalece o protagonismo do Estado na busca por soluções inovadoras voltadas ao reaproveitamento de resíduos agroindustriais e à produção de fertilizantes sustentáveis, consolidando Mato Grosso como referência em pesquisa aplicada ao agronegócio.

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