Economia

CONFIANÇA DOS COMERCIANTES DE CUIABÁ RECUA EM AGOSTO, MAS PERMANECE ACIMA DA LINHA DE SATISFAÇÃO

Índice registrou 103 pontos no mês e ficou 6,6% acima do resultado de agosto de 2025, enquanto empresários demonstram cautela com novos investimentos

DA REDAÇÃO

Foto: Fecomércio-MT

A confiança dos empresários do comércio de Cuiabá apresentou uma leve perda de força em agosto, mas permaneceu em terreno considerado positivo. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) alcançou 103 pontos, mesmo após registrar retração de 2,3% em relação a julho.

O resultado ocorre depois de duas altas consecutivas do indicador, que havia permanecido durante todo o primeiro semestre abaixo da marca de 100 pontos, considerada a linha de satisfação. Apesar da queda mensal, o cenário é mais favorável quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Em agosto de 2025, o Icec da Capital estava em 94,1 pontos. Com o resultado atual, houve crescimento de 6,6% na comparação anual, sinalizando uma melhora na percepção dos empresários em relação ao ambiente de negócios.

O levantamento é realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisado em Mato Grosso pelo Instituto de Pesquisa da Fecomércio-MT (IPF-MT).

Segundo a avaliação do instituto, a redução observada no curto prazo não elimina a melhora registrada no intervalo de 12 meses. O ambiente empresarial, apesar das incertezas, segue em nível mais positivo do que o observado em agosto de 2025.

EMPRESÁRIOS ADOTAM POSTURA MAIS CAUTELOSA

O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, avalia que os números de agosto revelam um comportamento marcado pela cautela.

Na avaliação do dirigente, a percepção menos favorável sobre as condições atuais e a redução do ritmo de investimentos são compensadas parcialmente pela expectativa de desempenho futuro das empresas e pela disposição de contratar novos funcionários.

A retração mensal foi identificada nos três grupos que compõem o Icec. O Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio apresentou a maior queda, de 3,7%.

O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio recuou 2,7%, enquanto o Índice de Investimento do Empresário do Comércio apresentou redução de 0,7% na comparação com julho.

ECONOMIA BRASILEIRA AINDA É PONTO DE PREOCUPAÇÃO

Um dos principais fatores que pesam sobre a avaliação dos empresários é a percepção em relação à economia nacional.

Segundo a pesquisa, 73,4% dos comerciantes cuiabanos consideram que as condições atuais da economia brasileira pioraram. A avaliação negativa também aparece quando os empresários analisam o desempenho do próprio setor: 65,5% afirmaram perceber uma piora nas condições atuais do comércio.

A percepção muda quando a análise deixa o cenário macroeconômico e passa para dentro das próprias empresas.

Nesse caso, 65,2% dos empresários afirmaram que as condições atuais de seus negócios melhoraram. O indicador específico alcançou 117,6 pontos, mantendo-se acima da linha de satisfação, embora tenha recuado em relação aos 120 pontos registrados em julho.

EXPECTATIVA DE CONTRATAÇÕES GANHA FORÇA

Mesmo com as preocupações relacionadas à economia e aos investimentos, os comerciantes continuam demonstrando expectativa positiva para os próximos meses.

Um dos sinais desse otimismo está na intenção de ampliar as equipes. Em agosto, 62,5% dos empresários entrevistados afirmaram esperar algum aumento no número de funcionários.

O percentual representa uma melhora em relação a julho, quando 57,3% dos empresários tinham essa expectativa.

Com isso, o indicador de Expectativa de Contratação de Funcionários chegou a 122,5 pontos, permanecendo em uma faixa considerada positiva.

O resultado demonstra que, apesar da cautela observada em outras áreas, parte significativa dos empresários acredita que poderá ampliar suas operações e necessitar de mais mão de obra.

INVESTIMENTOS FICAM ABAIXO DA LINHA DE CONFIANÇA

O comportamento dos investimentos, entretanto, revela uma postura mais conservadora.

O indicador referente ao Nível de Investimento da Empresa caiu de 101,8 pontos em julho para 96,1 pontos em agosto, retornando para uma faixa abaixo da linha de confiança.

Para a Fecomércio-MT, os números mostram um cenário em que os empresários preservam expectativas favoráveis para o futuro, mas evitam assumir compromissos maiores diante das incertezas atuais.

A combinação entre perspectivas positivas e menor disposição para novos aportes indica um otimismo moderado, no qual os comerciantes mantêm confiança na capacidade de seus negócios, mas preferem agir com maior prudência antes de realizar investimentos.

O desempenho do Icec em agosto, portanto, apresenta um cenário dividido: de um lado, a confiança anual está maior e há expectativa de contratação; de outro, as avaliações sobre a economia brasileira permanecem negativas e os investimentos demonstram maior cautela.

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