CRISE DA ÁGUA EM VÁRZEA GRANDE: MPE PEDE VISTORIA INDEPENDENTE NO DAE E COBRA PROVAS SOBRE QUALIDADE DO ABASTECIMENTO
Ministério Público quer inspeção técnica para verificar se Prefeitura e DAE cumprem decisões judiciais após suspeitas de contaminação na água distribuída à população
Da Redação | Foto: Reprodução
A crise no abastecimento de água em Várzea Grande ganhou um novo desdobramento após o Ministério Público Estadual (MPE) solicitar à Justiça a realização de uma vistoria técnica independente no sistema operado pelo Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG).
O objetivo é verificar se a autarquia e a Prefeitura estão realmente cumprindo as determinações judiciais voltadas à garantia da qualidade da água fornecida aos moradores do município.
O pedido do Ministério Público demonstra que as informações apresentadas até agora pelo DAE e pela gestão municipal não foram suficientes para afastar as dúvidas sobre as condições do abastecimento. A intenção é que uma avaliação externa e imparcial confirme se as medidas anunciadas estão sendo efetivamente colocadas em prática.
A preocupação aumenta diante de relatórios técnicos que já apontaram irregularidades no sistema e identificaram amostras fora dos padrões de potabilidade. Entre os problemas encontrados está a presença da bactéria E. coli, considerada um forte indicativo de contaminação fecal na água.
Após os apontamentos, a Justiça determinou uma série de medidas para reforçar o controle da qualidade da água distribuída à população. Mesmo assim, moradores continuam registrando reclamações frequentes sobre a coloração, o odor e a falta de confiança no abastecimento oferecido pelo DAE.
Em sua defesa, a autarquia afirma que realiza monitoramento constante da água, com análises frequentes e correções imediatas sempre que identifica alguma alteração nos padrões exigidos pelos órgãos sanitários.
A Prefeitura de Várzea Grande também sustenta que segue todas as exigências legais e informou que iniciou processo para contratação de um laboratório especializado para reforçar o acompanhamento técnico da qualidade da água.
Para o Ministério Público, no entanto, não basta apenas apresentar relatórios e declarações administrativas. O órgão entende que é necessário comprovar, de forma prática e independente, que as determinações judiciais estão sendo cumpridas integralmente.
O novo pedido reforça um questionamento que acompanha há anos o sistema de abastecimento do município: se todas as medidas estão sendo adotadas corretamente, por que continuam existindo tantas dúvidas e reclamações sobre a água que chega às casas da população?
Agora, caberá à Justiça decidir se autoriza a vistoria independente. Caso a inspeção seja realizada, o resultado poderá esclarecer se o município realmente avançou no controle da qualidade da água ou se a população ainda permanece exposta a falhas no serviço.



