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ELEIÇÃO 2026: OS SEIS CANDIDATOS AO GOVERNO DE MT PROMETEM MUDAR A SAÚDE, MAS COMO VÃO ACABAR COM AS FILAS?

Planos para o Palácio Paiaguás apostam em novos hospitais, tecnologia, regionalização e contratação de profissionais para enfrentar os gargalos do SUS

DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO

Filas para consultas, exames e cirurgias, falta de especialistas no interior e pacientes obrigados a percorrer centenas de quilômetros em busca de atendimento estão entre os principais problemas que o próximo governador de Mato Grosso terá de enfrentar.

Os seis candidatos ao Governo de Mato Grosso apresentam propostas para tentar mudar esse cenário. Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL), Natasha Slhessarenko (PSD), Rafaell Milas (Missão), Maurício Coelho (Mobiliza) e Sargento Laudicério (Agir) defendem, com diferentes estratégias, medidas para reduzir a espera e ampliar o acesso aos serviços de saúde.

Há pontos em comum entre os programas, como a regionalização do atendimento, uso da telessaúde, digitalização da regulação e combate às filas. A diferença está na forma como cada candidatura pretende colocar essas promessas em prática.

O eleitor, porém, terá de observar além dos anúncios: quanto cada proposta vai custar, de onde virão os recursos, quantos profissionais serão necessários e em quanto tempo o paciente sentirá os efeitos das mudanças.

PIVETTA DEFENDE CONTINUIDADE E NOVOS HOSPITAIS

Candidato à reeleição, Otaviano Pivetta aposta na continuidade de obras e programas da atual gestão, com a conclusão dos hospitais regionais de Juína, Tangará da Serra e Confresa.

O plano também prevê avanço na segunda fase do Hospital Central de Cuiabá e projetos de hospitais ou prontos-socorros em Várzea Grande, Barra do Garças, Rondonópolis e Pontes e Lacerda.

Entre as propostas estão ainda oito Centros Regionais de Diagnóstico, unificação da regulação por meio do Regula MT, prontuário único, avisos aos pacientes por WhatsApp ou SMS e ampliação da telessaúde.

Por representar o grupo que governa o Estado desde 2019, Pivetta também enfrenta uma cobrança específica: explicar por que problemas antigos, como filas, falta de especialistas e deslocamentos de pacientes, ainda persistem e quando as novas estruturas estarão funcionando completamente.

WELLINGTON QUER USAR REDE PRIVADA PARA REDUZIR FILAS

Wellington Fagundes propõe utilizar a capacidade ociosa de hospitais e clínicas particulares para ampliar a realização de exames e cirurgias.

O candidato também defende uma regulação integrada aos municípios, aplicativo para marcação de consultas e exames, prontuário digital, teleconsultas e uma central estadual de laudos.

O programa inclui ainda uma rede estadual de transplantes, regionalização dos centros de reabilitação, atendimento domiciliar e distribuição contínua de medicamentos.

Para o setor de pessoal, Wellington fala em dimensionar a força de trabalho e valorizar os profissionais, mas não estabelece uma meta numérica de concursos ou contratações.

NATASHA PROPÕE FILA ÚNICA E AUDITÁVEL

Natasha Slhessarenko coloca a saúde entre as prioridades de sua candidatura e propõe uma fila estadual única, pública e auditável.

A ideia é permitir que o paciente acompanhe sua posição e saiba quanto tempo poderá esperar por consultas, exames e cirurgias.

A candidata também prevê mutirões regionais, rodízio de especialistas, fortalecimento da telessaúde, concursos públicos, plano de carreira para servidores do SUS e cumprimento do piso da enfermagem.

O programa inclui ainda expansão de serviços de diálise, oncologia, quimioterapia e CAPS III, além de auditorias técnicas e contábeis nos contratos da Secretaria de Estado de Saúde.

MILAS ESTABELECE META PARA OS PRIMEIROS 180 DIAS

Rafaell Milas também aposta em uma fila única digital, mas estabelece uma meta temporal: disponibilizar, em até 180 dias de governo, informações públicas sobre posição, previsão de espera e prioridade clínica dos pacientes.

O candidato promete reduzir em 45% o tempo médio de espera para exames de alta complexidade.

Também estão no programa a contratação de especialistas para hospitais regionais, ampliação dos consórcios de saúde e criação de centrais integradas para transporte de pacientes.

Outra promessa é eliminar o déficit de cobertura aeromédica nas regiões Norte e Araguaia.

MAURÍCIO QUER ZERAR ESPERA ACIMA DE 90 DIAS

Maurício Coelho estabelece como uma das principais metas acabar com as filas de cirurgias eletivas que ultrapassem 90 dias.

Oftalmologia, ortopedia, ginecologia e urologia aparecem entre as áreas prioritárias.

O candidato também propõe modernizar o Laboratório Central de Mato Grosso, criar postos descentralizados de coleta, apoiar a recuperação de unidades básicas e ampliar a telessaúde.

O programa Mato Grosso Sem Dor também está entre as propostas, com atendimento multidisciplinar para pacientes com dores crônicas.

LAUDICÉRIO PRIORIZA ATENÇÃO BÁSICA

Sargento Laudicério concentra seu programa no fortalecimento da atenção básica, integração entre Estado e municípios e descentralização da rede hospitalar.

A proposta inclui expansão da telessaúde, transparência das filas e organização regionalizada dos serviços.

Também estão previstas ações para saúde mental, atendimento a pessoas com TEA, reabilitação de pacientes com dores crônicas e auditoria de contratos, compras e estoques da rede pública.

A PERGUNTA QUE FICA PARA O ELEITOR

Os seis candidatos reconhecem os principais gargalos da saúde de Mato Grosso, mas a eleição coloca uma questão central para todos eles: como transformar as promessas em atendimento efetivo?

Construir hospitais não é suficiente se faltarem médicos, enfermeiros, medicamentos e equipamentos. Criar uma fila digital também não resolve o problema se o paciente continuar esperando meses por uma consulta, exame ou cirurgia.

Por isso, além de comparar propostas, o eleitor terá de cobrar metas, orçamento, cronograma e resultados.

A disputa pelo Governo de Mato Grosso coloca a saúde novamente no centro do debate. E, para quem espera atendimento pelo SUS, a promessa mais importante não é apenas ter uma nova unidade ou aplicativo, mas conseguir ser atendido perto de casa e dentro de um prazo aceitável.

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