EXPORTAÇÕES DE DDG DE MATO GROSSO DISPARAM 35% EM 2026, COM CHINA COMO PRINCIPAL COMPRADORA

Estado embarcou 754,88 mil toneladas entre janeiro e setembro, superando todo o volume exportado em 2025; mercado chinês concentrou 63,54% das compras no acumulado do ano
DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO
As exportações de DDG de Mato Grosso registraram crescimento de 35,01% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O avanço é impulsionado principalmente pela China, que abriu seu mercado para o coproduto do milho mato-grossense em fevereiro e, em poucos meses, assumiu a liderança entre os destinos do produto.
Dados compilados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o estado exportou 754,88 mil toneladas de DDG nos nove primeiros meses deste ano. O resultado já supera o volume total embarcado durante todo o ano de 2025, quando as exportações somaram 704,66 mil toneladas.
O desempenho reforça a expansão das oportunidades comerciais para a agroindústria estadual, que transforma o milho em produtos destinados a diferentes mercados, incluindo ingredientes utilizados na alimentação animal.
CHINA CONCENTRA QUASE 88% DOS EMBARQUES DE SETEMBRO
O avanço das vendas ao mercado chinês ficou evidente em setembro. Naquele mês, Mato Grosso exportou 130,65 mil toneladas de DDG, mais que o dobro do volume registrado em agosto e o segundo maior resultado mensal de toda a série histórica.
Desse total, 114,41 mil toneladas tiveram a China como destino, o equivalente a 87,64% dos embarques estaduais no período. Segundo o Imea, esse foi o maior volume mensal importado pelo país asiático desde a abertura do mercado para o produto mato-grossense.
No acumulado de janeiro a setembro, a participação chinesa também se destaca: o país respondeu por 63,54% de todo o DDG exportado por Mato Grosso.
O crescimento indica que a China vem ampliando sua presença nesse segmento, criando novas possibilidades de comercialização para a produção estadual.
MERCADO DO DDG AVANÇA MESMO COM MENOR DEMANDA POR MILHO EM GRÃO
De acordo com Juan Porto, analista de agroindústria do Imea, o movimento chama a atenção porque ocorre em um cenário no qual a China tem reduzido sua participação nas compras de milho em grão de Mato Grosso, mas ampliado a aquisição do coproduto.
O analista explica que as boas safras de milho registradas nos últimos anos pelo país asiático reduziram a necessidade de importar o cereal. Apesar disso, o DDG vem conquistando espaço nas relações comerciais entre os dois mercados.
A abertura do mercado chinês em fevereiro deste ano contribuiu para acelerar esse processo e ampliar a participação do país nas exportações mato-grossenses.
Os números de setembro reforçam essa tendência, com um volume expressivo de embarques e uma concentração significativa das vendas em um único destino internacional.
COPRODUTO AMPLIA OPORTUNIDADES PARA A AGROINDÚSTRIA
O DDG, sigla em inglês para Dried Distillers Grains, é um coproduto obtido no processamento de grãos, especialmente do milho, utilizado principalmente na alimentação animal.
Sua comercialização permite agregar valor ao processamento industrial do cereal e diversificar as fontes de receita da cadeia produtiva.
Para Mato Grosso, maior produtor brasileiro de milho, a expansão desse mercado representa uma oportunidade de fortalecer a agroindústria e ampliar a presença dos produtos estaduais no comércio internacional.
Com as exportações acumuladas até setembro já acima do total de 2025, o desempenho do DDG evidencia a importância de novos mercados para o aproveitamento industrial do milho mato-grossense.
O Povo MT segue acompanhando os indicadores do agronegócio e os movimentos do comércio internacional que influenciam a economia de Mato Grosso.



