FAMATO DEFENDE BEM-ESTAR ANIMAL COMO ESTRATÉGIA PARA AUMENTAR A PRODUTIVIDADE E A RENTABILIDADE DA PECUÁRIA

Durante o Boi Brasilis Conecta 2026, em Cuiabá, Amarildo Merotti destacou o manejo adequado e a prevenção de perdas; exemplo apresentado no evento aponta prejuízo potencial de R$ 201 mil com a morte de 25 bovinos
DA REDAÇÃO | FOTO: FAMATO
O bem-estar animal, o controle sanitário e o manejo adequado estão entre os fatores que influenciam diretamente a produtividade e a rentabilidade da pecuária. O tema esteve em destaque durante o Boi Brasilis Conecta 2026, realizado na quarta-feira (14), em Cuiabá, com a participação da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) nas discussões sobre os desafios e as oportunidades da atividade.
O vice-presidente da Famato e coordenador da Comissão de Pecuária da entidade, Amarildo Merotti, participou de uma mesa-redonda com especialistas para debater práticas capazes de melhorar o desempenho dos rebanhos e os resultados das propriedades rurais.
O encontro foi mediado por Neimar Urzedo, gerente regional de bovinos da Agroceres Multimix, e também contou com a participação de Arlindo Vilela, diretor do Grupo Novapec, e Wallace Barboza, especialista de desenvolvimento de mercado da UPL.
Durante o debate, foram abordados aspectos como eficiência produtiva, manejo dos animais e fatores que interferem nos custos e na rentabilidade da pecuária.
MANEJO ADEQUADO CONTRIBUI PARA REDUZIR PERDAS
Amarildo Merotti ressaltou que o bem-estar dos bovinos precisa fazer parte da rotina das propriedades rurais, com atenção à condução dos animais, à disponibilidade de água e às condições sanitárias.
Segundo ele, práticas de manejo realizadas com tranquilidade ajudam a reduzir o estresse dos animais e podem contribuir para melhores resultados na produção.
“A bandeira não foi feita para bater, mas para conduzir o animal com cuidado, e isso é algo de que temos cada vez mais certeza. O bem-estar animal não é apenas uma questão de cuidado, mas também de produtividade. O boi no curral não tem pressa; o manejo precisa ser feito com tranquilidade, porque isso faz diferença no resultado final da fazenda”, destacou.
A mesa-redonda também proporcionou a troca de experiências entre produtores de diferentes regiões de Mato Grosso e os especialistas convidados. A interação permitiu discutir dúvidas práticas e compartilhar conhecimentos relacionados ao desenvolvimento da pecuária.
MORTALIDADE PODE REPRESENTAR PREJUÍZO DE R$ 201 MIL
O impacto econômico das perdas no rebanho também foi abordado pelo CEO da Gesta Up Company, Dr. Welton Cabral, durante sua palestra no evento.
Para demonstrar o efeito financeiro da mortalidade de bovinos, ele apresentou uma estimativa baseada em um animal com 583 quilos de peso vivo, rendimento de carcaça de 56% e valor de R$ 370 por arroba. Nessas condições, o faturamento estimado por animal abatido chega a R$ 8.057.
Em um rebanho de 5 mil bovinos, uma taxa de mortalidade de 0,5% corresponde à perda de 25 animais. Considerando o valor estimado por bovino, o faturamento potencial associado a esses animais chegaria a aproximadamente R$ 201 mil.
O exemplo evidencia o impacto que a morte de animais pode representar para o resultado econômico de uma propriedade. A prevenção de doenças, o acompanhamento dos indicadores do rebanho e a adoção de práticas adequadas de manejo são medidas importantes para reduzir riscos e evitar perdas.
Sanidade, acesso à água e cuidados diários com os animais foram apontados como componentes estratégicos da gestão pecuária, e não apenas como despesas operacionais.
PRODUTIVIDADE E CONSERVAÇÃO AMBIENTAL
A eficiência da produção também foi relacionada à sustentabilidade da atividade. Dados apresentados durante o encontro indicaram que 65% do território brasileiro é coberto por vegetação nativa e que 33,2% do território nacional corresponde a vegetação preservada dentro de propriedades rurais.
Nesse contexto, o aprimoramento do manejo das pastagens e o melhor aproveitamento das áreas produtivas foram destacados como caminhos para elevar a produtividade, considerando também a conservação ambiental.
A busca por eficiência envolve, portanto, o equilíbrio entre o desempenho dos animais, o uso dos recursos disponíveis e a gestão dos riscos que afetam a atividade.
FAMATO REFORÇA IMPORTÂNCIA DA UNIÃO DOS PRODUTORES
Além dos aspectos técnicos e econômicos, Amarildo Merotti destacou a importância do fortalecimento das entidades representativas do setor, como a Famato e os sindicatos rurais.
Para o dirigente, a participação dos produtores nas discussões e nas ações coletivas é fundamental para defender os interesses da categoria e construir soluções para os desafios da pecuária.
“Sem união, nós não chegamos a lugar nenhum. Precisamos fortalecer nossas entidades, participar e dedicar um pouco do nosso tempo ao trabalho coletivo. As entidades são fundamentais para construir um setor forte, mas precisamos de pessoas comprometidas para dar continuidade a esse trabalho. É importante que os jovens também assumam essa responsabilidade e ajudem a construir o futuro da pecuária”, concluiu.
O Boi Brasilis Conecta 2026 reuniu produtores rurais e especialistas em Cuiabá para discutir caminhos voltados ao aprimoramento da produção pecuária. Os debates reforçaram a importância da gestão, da prevenção de perdas e da adoção de práticas que contribuam para a eficiência e a sustentabilidade das propriedades.
O Povo MT segue acompanhando as iniciativas e discussões que contribuem para o fortalecimento do agronegócio e o desenvolvimento de Mato Grosso.



