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FIM DA ESCALA 6X1 DEVE ACELERAR AUTOMAÇÃO E ELEVAR CUSTOS DAS EMPRESAS EM MATO GROSSO

Mudança na jornada de trabalho exige revisão de processos, investimentos em tecnologia e qualificação profissional; especialista aponta desafios para manter a produtividade sem reduzir salários.

ARTIGO | FOTO: ASSESSORIA

O fim da escala de trabalho 6×1 deve provocar mudanças na gestão das empresas de Mato Grosso, especialmente nos setores que dependem de mão de obra intensiva, como comércio, indústria, agronegócio e serviços. A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, aumenta em 10% o custo da hora trabalhada, criando pressão para que as organizações encontrem alternativas para preservar a produtividade e controlar as despesas.

A avaliação é da consultora em desenvolvimento humano e organizacional da Vesi Consulting, Edilene Bocchi. Segundo a especialista, a transição exigirá mais do que a reorganização de escalas ou a contratação de novos funcionários. O cenário deve acelerar investimentos em automação, inovação, revisão de processos e capacitação profissional.

Em Mato Grosso, o desafio é ainda maior diante de um mercado de trabalho aquecido. Com taxa de desemprego de 2,4%, uma das menores do país, as empresas já enfrentam dificuldades para preencher vagas e equilibrar os custos operacionais. Nesse contexto, a redução da jornada amplia a necessidade de buscar soluções que permitam produzir mais sem depender exclusivamente do aumento do número de trabalhadores.

Para Edilene Bocchi, as organizações precisarão avaliar seus modelos de funcionamento e identificar oportunidades de melhorar a eficiência. Entre as medidas estão a automatização de tarefas, a eliminação de etapas desnecessárias, a revisão de produtos e serviços e a adoção de novas ferramentas nas áreas comerciais, administrativas e operacionais.

“As empresas precisarão encontrar maneiras de produzir mais e melhor com menos pessoas. Isso passa pela necessidade de repensar os negócios, revendo processos, eliminando atividades que não agregam valor e investindo em tecnologia, mas também por preparar as pessoas para uma nova forma de trabalhar”, afirma a consultora.

INDÚSTRIA ESTÁ ENTRE OS SETORES MAIS IMPACTADOS

Os efeitos da mudança tendem a ser mais expressivos em atividades que exigem funcionamento contínuo ou grande disponibilidade de trabalhadores. Indústria, agronegócio, comércio e serviços estão entre os segmentos que precisarão avaliar como manter suas operações diante da redução da jornada semanal.

A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) já divulgou uma estimativa segundo a qual 84,7% do emprego industrial do estado poderá ser impactado pela mudança. O levantamento também aponta uma possível elevação de 9,9% a 14,8% na folha de pagamento, reforçando a preocupação com os custos da adaptação.

Diante desse cenário, a automação surge como uma das alternativas para reduzir tarefas repetitivas, otimizar recursos e melhorar o desempenho das equipes. Entretanto, a incorporação de tecnologia precisará estar acompanhada de planejamento e mudanças na organização do trabalho.

RH GANHA PAPEL ESTRATÉGICO NA TRANSIÇÃO

A área de Recursos Humanos deverá assumir uma posição ainda mais estratégica nas empresas. Entre as responsabilidades estão mapear necessidades de pessoal, apoiar a reorganização das equipes, desenvolver competências digitais e preparar lideranças para administrar novos modelos de trabalho.

A transformação também exigirá atenção à distribuição das responsabilidades, à definição de prioridades e ao desenvolvimento de profissionais capazes de utilizar ferramentas tecnológicas no dia a dia.

“A tecnologia pode ajudar a compensar parte dos impactos da redução da jornada, mas não resolve sozinha os desafios de produtividade. É preciso que as lideranças saibam organizar prioridades, distribuir responsabilidades e desenvolver equipes mais eficientes”, destaca Edilene.

Na avaliação da especialista, empresas que iniciarem o planejamento com antecedência poderão enfrentar a transição com melhores condições. A mudança, segundo ela, abre espaço para discutir não apenas a duração da jornada, mas também a capacidade de inovação, o desenvolvimento de pessoas e a sustentabilidade dos modelos de gestão.

“O debate vai muito além da quantidade de horas trabalhadas. Ele coloca em discussão a capacidade das empresas de inovar, desenvolver pessoas e construir modelos de gestão mais eficientes e sustentáveis. O RH precisa estar à frente dessa transformação”, conclui.

COMO FICARÁ A JORNADA DE TRABALHO

Conforme as informações apresentadas no texto-base, a mudança prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, além da diminuição gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.

O cronograma informado estabelece o início da transição em 15 de dezembro de 2026, com redução de duas horas semanais. Após 12 meses da primeira etapa, o limite deverá chegar a 40 horas semanais.

A implementação das novas regras exigirá atenção das empresas à organização das escalas, à adequação dos contratos e ao planejamento dos custos, especialmente nos setores em que a continuidade das operações depende de equipes distribuídas ao longo da semana.

O Povo MT segue acompanhando as mudanças que podem afetar o mercado de trabalho, a atividade econômica e a gestão das empresas em Mato Grosso.

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