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Incêndios no campo exigem resposta rápida e reforço na segurança jurídica, alertam especialistas em MT

Produtores rurais são orientados a registrar ocorrências e reunir provas para evitar questionamentos sobre origem do fogo.

DA REDAÇÃO / Foto: Aprosoja MT

Os incêndios em áreas rurais seguem como um dos principais riscos para a produção agropecuária, causando prejuízos ao solo, às lavouras, aos animais e às estruturas das propriedades em Mato Grosso. Além dos danos econômicos e ambientais, especialistas alertam que o produtor também pode enfrentar questionamentos sobre a origem das chamas, o que reforça a importância de agir rapidamente após a ocorrência.

Segundo o vice-coordenador da Comissão de Sustentabilidade da Aprosoja Mato Grosso, Nathan Belusso, ainda há desinformação sobre o papel do produtor rural diante das queimadas. Ele afirma que o setor produtivo, na maioria das vezes, é o mais prejudicado pelos incêndios.

De acordo com ele, o fogo compromete diretamente a fertilidade do solo, reduz a produtividade e coloca em risco máquinas, animais e vidas humanas, além de atingir áreas produtivas e de preservação.

Belusso destaca que muitos produtores já adotam medidas preventivas, como formação de brigadas próprias, uso de equipamentos de combate inicial, tratores, tanques de água e estruturas de contenção. No entanto, quando o incêndio ocorre, a recomendação é de ação imediata para registro formal da situação.

Entre as principais orientações está a comunicação às autoridades competentes e o registro de boletim de ocorrência, com detalhamento do local, data e circunstâncias do fato. Também é indicada a lavratura de ata notarial em cartório, que documenta oficialmente os danos e a condição da propriedade após o incêndio.

Segundo o representante da Aprosoja MT, essa documentação é essencial para resguardar o produtor e evitar interpretações indevidas sobre responsabilidade ambiental, especialmente em situações em que ele também é vítima da ocorrência.

Ele ressalta ainda que parte dos incêndios tem origem acidental ou natural, principalmente em períodos de estiagem prolongada, quando o clima seco e a baixa umidade favorecem a propagação do fogo.

Os impactos dos incêndios vão além da área atingida. O delegado coordenador do Núcleo Vale do Guaporé da Aprosoja MT, Yuri Nunes Cervo, relata a experiência vivida em sua propriedade em 2020, quando um incêndio de grandes proporções atingiu áreas de reserva e exigiu dias de combate intenso.

Segundo ele, o trabalho de contenção mobilizou equipes da fazenda com uso de abafadores, bombas costais, caminhonetes adaptadas e outros equipamentos, em meio a condições climáticas adversas e forte propagação do fogo pela vegetação.

Além dos prejuízos imediatos, Yuri destaca que o fogo compromete práticas de conservação do solo desenvolvidas ao longo de anos, como o uso de cobertura vegetal, sistemas integrados e manejo sustentável, afetando diretamente a estrutura biológica e a produtividade da área.

Ele também chama atenção para os riscos à segurança de trabalhadores, animais e instalações da propriedade, como galpões e residências.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a documentação correta após um incêndio é uma etapa essencial para a proteção jurídica do produtor. Registros fotográficos, vídeos, testemunhos e documentos oficiais ajudam a comprovar as circunstâncias do ocorrido e as ações adotadas no combate ao fogo.

Além do registro formal, a prevenção segue como principal estratégia. Produtores têm investido em capacitação, formação de brigadas e integração com órgãos de combate a incêndios, como forma de reduzir riscos e proteger áreas produtivas e ambientais.

Para o setor, a preservação do patrimônio rural depende tanto da preparação prévia quanto da resposta imediata diante de emergências, especialmente em períodos críticos de estiagem no estado.

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