OPOSIÇÃO QUESTIONA NOVA PESQUISA SOBRE GOVERNO DE MT APÓS DIVERGÊNCIA EM DATA DA COLETA

Levantamento do Paraná Pesquisas aponta Pivetta com 42,4%, Wellington com 29,6% e Natasha com 13,5%; CNN informou agosto, enquanto outros registros e publicações apontam entrevistas realizadas em setembro
DA REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO
A nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas sobre a disputa pelo Governo de Mato Grosso passou a ser questionada por integrantes da oposição após a divulgação dos resultados nesta sexta-feira (18). Entre os pontos levantados estão uma divergência na data de coleta informada pela CNN Brasil, a interpretação dos recortes da amostra e as diferenças observadas entre rodadas realizadas pelo próprio instituto.
O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número MT-09335/2026 e ouviu 1.352 eleitores em 50 municípios de Mato Grosso. De acordo com informações divulgadas por veículos que reproduziram a metodologia, as entrevistas foram realizadas presencialmente entre 15 e 17 de setembro, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
No principal cenário estimulado para o primeiro turno, Otaviano Pivetta (Republicanos) aparece com 42,4% das intenções de voto, Wellington Fagundes (PL) tem 29,6% e Natasha Slhessarenko (PSD), 13,5%. Sargento Laudicério registra 0,8%, enquanto Mauricio Coelho e Rafaell Milas aparecem com 0,4% cada.
DIVERGÊNCIA NA DATA DA COLETA
Um dos questionamentos está relacionado à informação publicada pela CNN Brasil. A reportagem divulgada em 18 de setembro informa que as 1.352 entrevistas teriam sido realizadas entre 15 e 17 de agosto.
A informação, porém, diverge do período indicado em outras publicações sobre o mesmo levantamento, que apontam 15 a 17 de setembro como as datas das entrevistas. Veículos como Metrópoles, Jornal Oeste e Só Notícias também registraram setembro como período da coleta.
A divergência, portanto, está na informação referente à data de realização das entrevistas publicada pela CNN, e não nos percentuais de intenção de voto apresentados na pesquisa.
COMPARAÇÃO ENTRE AS RODADAS
Outro ponto levantado envolve a comparação entre diferentes pesquisas realizadas pelo Paraná Pesquisas em Mato Grosso.
Em levantamento divulgado em agosto, realizado entre os dias 21 e 23 daquele mês, Pivetta registrou 39% e Wellington Fagundes, 35%. Na rodada seguinte, divulgada em setembro, Pivetta apareceu com 40,8%, enquanto Wellington registrou 30%.
Na pesquisa divulgada nesta sexta-feira (18), os percentuais passaram para 42,4% e 29,6%, respectivamente. Dessa forma, considerando a rodada de agosto, a variação numérica foi de 3,4 pontos percentuais para Pivetta e de -5,4 pontos para Wellington.
Já quando a comparação é feita com o levantamento mais recente, realizado no início de setembro, a diferença é menor: Pivetta passou de 40,8% para 42,4%, enquanto Wellington variou de 30% para 29,6%.
A existência da rodada intermediária é um elemento relevante na leitura da evolução dos números do próprio instituto, já que permite comparar os resultados de forma sequencial, e não apenas entre agosto e setembro.
MARGEM DE ERRO NOS RECORTES
Os questionamentos também envolvem a interpretação dos recortes por faixa etária, sexo, escolaridade, renda e região.
A margem de erro de 2,7 pontos percentuais divulgada para a pesquisa considera a amostra geral de 1.352 entrevistados. Os grupos analisados individualmente possuem quantidade menor de participantes e, por isso, a precisão estatística desses cruzamentos não deve ser interpretada da mesma maneira que o resultado geral.
No recorte de eleitores entre 16 e 24 anos, por exemplo, foram consideradas 178 entrevistas. Em um cenário de segundo turno entre Pivetta e Wellington, os percentuais apresentados são de 44,9% e 41,6%, respectivamente.
REJEIÇÃO E DISPUTA PELO SENADO
Outro ponto que exige atenção está na pergunta sobre rejeição. Nesse quesito, o entrevistado pode indicar mais de um candidato em quem não votaria. Por isso, os percentuais não funcionam como uma escolha única e não precisam somar 100%.
Na pesquisa divulgada, Wellington aparece com 26,8% de rejeição, Natasha com 23,3% e Pivetta com 19,6%.
Situação semelhante ocorre na pesquisa para o Senado. Como Mato Grosso terá duas vagas em disputa em 2026, os entrevistados puderam indicar até dois nomes. Dessa forma, os percentuais representam o conjunto de menções feitas pelos participantes e não uma votação exclusiva em apenas um candidato.
CONDENAÇÃO ANTERIOR
A discussão sobre o novo levantamento ocorre poucos dias depois de o Paraná Pesquisas e a Abril Comunicações, responsável pela revista Veja, terem sido condenados pela Justiça Eleitoral de Mato Grosso em outro episódio envolvendo pesquisa eleitoral.
No processo relacionado ao registro MT-02157/2026, cada empresa recebeu multa de R$ 53.205, totalizando R$ 106.410. A condenação ocorreu porque os resultados foram publicados pela Veja em 23 de agosto, um dia antes da data a partir da qual a divulgação era permitida.
O levantamento havia sido registrado em 18 de agosto e tinha divulgação autorizada a partir de 24 de agosto. A Justiça considerou irregular a antecipação da publicação e responsabilizou tanto o veículo quanto o instituto.
É importante destacar que essa condenação anterior não correspondeu a uma decisão reconhecendo fraude ou manipulação dos resultados da pesquisa. A irregularidade discutida naquele processo foi a divulgação antes do prazo legal estabelecido para o levantamento.
NOVA PESQUISA
O levantamento mais recente, registrado sob o número MT-09335/2026, ouviu 1.352 eleitores em 50 municípios de Mato Grosso e apresenta, no cenário estimulado para o primeiro turno, Pivetta com 42,4%, Wellington com 29,6% e Natasha com 13,5%.
A pesquisa também simulou um eventual segundo turno entre Pivetta e Wellington. Nesse cenário, os percentuais registrados são de 49,1% e 37,4%, respectivamente, além de 7,7% que indicaram branco, nulo ou nenhum dos candidatos e 5,8% que não souberam ou não opinaram.
Os questionamentos apresentados pela oposição não alteram, por si só, os números registrados no levantamento. A divergência sobre a data publicada pela CNN diz respeito à informação divulgada pelo veículo, enquanto as diferenças entre as rodadas devem ser analisadas considerando as respectivas datas, amostras e margens de erro.
A pesquisa eleitoral registra um retrato das intenções de voto no período em que as entrevistas foram realizadas e não constitui resultado eleitoral.



