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PECUARISTA DE MATO GROSSO INVESTE EM INTENSIFICAÇÃO PARA PRODUZIR MAIS CARNE NA MESMA ÁREA E PRESERVAR O MEIO AMBIENTE

Uso de tecnologia, manejo adequado e conservação do solo permite elevar a produtividade sem depender da abertura de novas áreas

DA REDAÇÃO
Foto: Reprodução

A busca por uma pecuária mais produtiva e, ao mesmo tempo, comprometida com a conservação ambiental tem levado produtores de Mato Grosso a investir em tecnologias e estratégias de intensificação. Em Rondonópolis, a cerca de 212 quilômetros de Cuiabá, o pecuarista Arlindo Vilela, que atua há 32 anos no setor, defende que aumentar a produção dentro da área já utilizada é um dos caminhos para tornar a atividade mais eficiente e sustentável.

Para o produtor, a pecuária possui potencial para avançar significativamente na produtividade por hectare a partir do conhecimento e das tecnologias disponíveis atualmente. Ele cita como referência a diferença entre a média nacional e o potencial alcançado por propriedades que adotam sistemas mais eficientes.

“A média brasileira produz cinco arrobas por hectare. A gente tem condição, já tem tecnologia disponível para produzir 120. E de uma forma muito mais sustentável com o meio todo, no social, no resultado financeiro, no ambiental e também no bem-estar animal”, afirma Arlindo.

A estratégia de intensificação busca justamente aumentar a quantidade de carne produzida em uma mesma área, utilizando ferramentas de manejo, tecnologia e gestão. Dessa maneira, o crescimento da produção não precisa estar necessariamente associado à expansão territorial da atividade.

SOLO É TRATADO COMO BASE DA PRODUÇÃO

Na propriedade, a preocupação com a sustentabilidade começa pela conservação do solo. O pecuarista considera que manter a qualidade e a vida do solo é essencial para garantir a capacidade produtiva da fazenda ao longo dos anos.

“Hoje a gente está preocupado com a vida do solo. Isso, para mim, é a base, o solo é o alicerce. Preocupar com a vida do solo é muito importante”, destaca.

A atenção ao solo está relacionada à necessidade de manter uma estrutura produtiva capaz de sustentar as pastagens e, consequentemente, o desempenho do rebanho. Nesse modelo, o manejo passa a ser utilizado não apenas como ferramenta para aumentar a produtividade, mas também como instrumento de conservação dos recursos naturais.

A adoção de práticas mais eficientes também ocorre dentro dos limites estabelecidos pela legislação ambiental. A proposta é utilizar melhor os recursos disponíveis na propriedade, elevando a produção sem transformar o aumento da produtividade em pressão pela abertura de novas áreas.

PRODUZIR MAIS SEM COLOCAR A PRESERVAÇÃO EM SEGUNDO PLANO

Para Arlindo Vilela, o conceito de sustentabilidade na pecuária precisa considerar diferentes dimensões da atividade. Na avaliação dele, o resultado econômico é importante para a continuidade do negócio, mas não deve ser obtido ignorando os impactos sociais, ambientais e relacionados ao bem-estar dos animais.

“É produzir mais e melhor. E não é só produzir, não é só sair produzindo de uma forma pesada. Você está afetando o meio, você está afetando pessoas, você está afetando várias condições. Tem que dar resultado? Tem. Mas isso não pode ser acima de tudo”, ressalta.

Essa visão coloca a produtividade como uma aliada da preservação. Ao invés de ampliar a área utilizada para aumentar a produção, o produtor busca extrair maior eficiência dos hectares que já estão integrados ao sistema produtivo.

TECNOLOGIA COMO ALIADA DA PECUÁRIA

O diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, também destaca a importância da tecnologia para transformar a eficiência produtiva em uma ferramenta de sustentabilidade.

Segundo ele, o avanço da produtividade por hectare permite que o produtor obtenha melhores resultados utilizando de maneira mais eficiente a área disponível.

“A tecnologia tem um papel fundamental para que o produtor consiga produzir mais e melhor dentro da mesma área. Quando aumentamos a produtividade por hectare, com manejo adequado, melhoria das pastagens, genética, nutrição e gestão, conseguimos tornar a atividade mais eficiente sem deixar de lado a sustentabilidade. Esse avanço permite conciliar produção, preservação ambiental e resultado econômico dentro da propriedade”, explica.

A combinação dessas ferramentas pode contribuir para melhorar o desempenho do rebanho, a qualidade das pastagens e o aproveitamento da área produtiva. Ao mesmo tempo, permite que a propriedade seja administrada com maior controle sobre custos, recursos naturais e resultados.

INTENSIFICAÇÃO MUDA A LÓGICA DE CRESCIMENTO

O modelo defendido pelos produtores e especialistas representa uma mudança na lógica tradicional de expansão da pecuária. Em vez de depender exclusivamente do aumento da área utilizada, a estratégia passa a priorizar o ganho de eficiência dentro dos espaços que já estão em produção.

Nesse cenário, manejo, genética, nutrição, qualidade das pastagens, conservação do solo e gestão formam um conjunto de ferramentas capazes de elevar o desempenho da atividade.

A experiência de Rondonópolis mostra como a intensificação pode ser incorporada à rotina da propriedade como parte de uma estratégia de longo prazo. A produção de carne, nesse modelo, deixa de ser avaliada apenas pelo volume produzido e passa a considerar também a eficiência do sistema, a conservação dos recursos naturais, o retorno financeiro e o bem-estar dos animais.

Em um dos principais estados produtores de carne bovina do país, iniciativas como essa reforçam o potencial de Mato Grosso para ampliar a produção por meio da tecnologia e do uso mais eficiente das áreas já destinadas à pecuária, conciliando produtividade e preservação ambiental.

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