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Projeto transforma resíduos em biogás e fortalece ensino sustentável em Campo Novo do Parecis

Biodigestor implantado no IFMT une setor produtivo, comunidade acadêmica e sustentabilidade em iniciativa apoiada pela Aprosoja MT

Da Redação | Foto: Aprosoja MT/Taiguara Luciano

O incentivo a projetos sustentáveis vem ganhando força em Mato Grosso, impulsionado por parcerias entre o setor produtivo e instituições de ensino. Em Campo Novo do Parecis, uma iniciativa implantada no campus do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) tem chamado atenção pela união entre tecnologia, educação e preservação ambiental.

Desde dezembro de 2025, o campus conta com um biodigestor utilizado para transformar resíduos orgânicos em biogás e biofertilizantes. O projeto recebeu apoio da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), por meio do delegado do núcleo local, Giuliano Rensi.

A estrutura foi desenvolvida para reaproveitar resíduos produzidos diariamente no campus e, ao mesmo tempo, servir como ferramenta prática de aprendizado para os estudantes da instituição.

Segundo Giuliano Rensi, a ideia surgiu após estudos e pesquisas sobre o funcionamento dos biodigestores e os benefícios que a tecnologia poderia gerar tanto para o meio ambiente quanto para a formação dos alunos.

“Criamos um projeto piloto para produção de biogás e biofertilizantes. Era um assunto que ouvíamos falar, mas sem contato direto. A partir disso, começamos a estudar e estruturar a proposta”, explicou.

Após a elaboração do projeto, a iniciativa foi apresentada à Aprosoja MT, que, em parceria com o Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, apoiou a implantação do sistema no IFMT.

Para o delegado, a integração entre produtores rurais, comunidade acadêmica e entidades do agro foi fundamental para transformar a proposta em realidade. Ele destaca ainda que o projeto permitirá que futuros profissionais levem esse conhecimento para dentro das propriedades rurais onde atuarão futuramente.

Além de gerar energia renovável, o biodigestor também contribui para a redução das emissões de carbono, já que o biogás pode substituir combustíveis convencionais em diferentes atividades.

A técnica de laboratório do IFMT, Géssica Zanetti, afirmou que o gás produzido já está sendo utilizado no preparo das refeições servidas no restaurante estudantil da instituição. A expectativa é ampliar gradativamente o uso da energia gerada pelos próprios resíduos orgânicos produzidos no campus.

“Nosso objetivo é usar os resíduos do restaurante estudantil como alimentação do biodigestor. Quando atingir a capacidade máxima, a previsão é economizar até sete botijões de gás P13”, destacou.

Ela explica que os restos de alimentos descartados pelos estudantes passam por um processo de decomposição dentro do equipamento, resultando na produção de biogás e biofertilizante.

Atualmente, o sistema consegue receber até 10 quilos de resíduos orgânicos por dia ou até 60 quilos de dejetos suínos e ovinos. O restaurante estudantil, responsável pelo fornecimento diário de café da manhã, almoço e lanches, atende um grande número de estudantes. Somente em março, foram servidas cerca de 14 mil refeições.

O professor José Vanor Catânio explica que o funcionamento do biodigestor ocorre por meio da ação de micro-organismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e pela geração dos gases utilizados posteriormente no restaurante da instituição.

Além da produção de energia, o processo também gera biofertilizante líquido, utilizado na horta e nos projetos de fruticultura desenvolvidos no campus.

“É um ciclo completo de reaproveitamento. A matéria orgânica é reduzida durante o processo, gera gás para o restaurante e ainda produz fertilizante utilizado nas plantações do campus”, afirmou o professor.

Para os alunos, o projeto representa uma oportunidade de vivenciar na prática os conteúdos aprendidos em sala de aula. A estudante do curso técnico em agropecuária, Geovanna Portes, ressaltou a importância do restaurante estudantil para os alunos que moram longe da cidade e permanecem no campus ao longo do dia.

Ela também destacou que participar de uma iniciativa sustentável amplia a experiência prática durante a formação técnica.

O estudante Hugo Assunção de Brito acredita que o biodigestor ajuda a demonstrar o compromisso do agronegócio com ações sustentáveis e o reaproveitamento de resíduos.

“O projeto mostra que é possível transformar aquilo que seria descartado em energia e biofertilizante. É sustentabilidade sendo aplicada na prática”, comentou.

Com o apoio à iniciativa, a Aprosoja MT reforça o incentivo a projetos que unem educação, inovação tecnológica e sustentabilidade, promovendo soluções ambientais e fortalecendo a formação de novos profissionais para o setor agropecuário.

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