Agro

SUCESSÃO NO AGRO: IRMÃOS SCHNEIDER DÃO CONTINUIDADE AO LEGADO DA FAMÍLIA EM QUERÊNCIA

Criados na rotina da fazenda, Gisele e Fabrício assumem diferentes funções na propriedade e mantêm viva a história iniciada pelos pais em Mato Grosso.

DA REDAÇÃO | FOTO: BRUNO LOPES/APROSOJA MT

A sucessão familiar no agronegócio é construída ao longo dos anos, entre ensinamentos, responsabilidades e experiências compartilhadas no campo. Em Querência, na região Leste de Mato Grosso, a família Schneider representa essa continuidade por meio dos irmãos Gisele e Fabrício, que cresceram acompanhando o trabalho na fazenda e hoje ajudam a manter viva a trajetória iniciada pelos pais, Olimar e Dirce.

A história da família no município começou por volta de 1988, quando Olimar tinha apenas 14 anos. Desde então, a agricultura passou a fazer parte da vida dos Schneider e, com o nascimento dos filhos, a rotina da propriedade também se tornou parte da infância deles. Criados em meio às atividades rurais, os irmãos desenvolveram afinidades diferentes, mas compartilham o compromisso de dar sequência ao trabalho construído pelas gerações anteriores.

Associados à Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), os pais tiveram papel fundamental na formação dos filhos, transmitindo conhecimentos sobre a atividade e valores que permanecem presentes na condução dos negócios familiares.

Para Gisele, seguir na agricultura nunca foi uma escolha distante da realidade em que cresceu. A convivência com a atividade, presente também na história dos avós e bisavós, fez com que a continuidade do legado acontecesse de maneira natural.

“Para mim, é natural ter crescido numa família de produtores. Isso é o que meus pais, meus avós, meus bisavós fizeram. E é muito bom poder seguir esse legado. Eu acho que nunca houve dúvidas sobre seguir ou não o legado dos meus pais, porque a gente sempre esteve nesse meio, sempre participou das rotinas da fazenda. Então, sempre foi muito natural esse processo, mas, com certeza, meus pais têm um papel fundamental nisso”, contou.

Irmãos encontram caminhos diferentes dentro da fazenda

Embora tenham sido criados no mesmo ambiente, Gisele e Fabrício encontraram áreas distintas de atuação na propriedade. Formada em Economia, Gisele se identificou com a administração financeira e assumiu a responsabilidade de organizar os números e acompanhar os resultados do negócio.

Já Fabrício, o caçula, demonstrava desde pequeno interesse pelas máquinas e pelas atividades operacionais da lavoura. A diferença de perfil entre os irmãos é lembrada com carinho pelo pai, que acompanhou de perto o desenvolvimento de cada um.

“A Gisele sempre gostou mais de estudar. E, quando ela foi estudar, quis fazer Economia. Então, hoje ela está cuidando da administração. Ela chega no final do mês com os números prontinhos, só para nós olharmos. Ela faz a parte dela muito bem-feita. E o Fabrício, desde pequenininho, sempre gostou da lavoura, do operacional. Subindo no trator, na colheitadeira. Ele saía da escola, já vinha correndo para casa e nem queria comer. Já queria que a mãe dele o levasse para a roça, para ele trabalhar”, relembrou Olimar.

A divisão de responsabilidades mostra como a sucessão pode ser construída a partir das habilidades e dos interesses de cada integrante da família. Enquanto Gisele contribui com a organização financeira, Fabrício se dedica ao cotidiano operacional, mantendo a conexão com as atividades que despertaram seu interesse ainda na infância.

Conhecimento e tecnologia são essenciais para continuar produzindo

Além de ensinar o trabalho diário, Olimar e Dirce transmitiram aos filhos a importância da responsabilidade, da dedicação e da busca constante por conhecimento. No agronegócio, esses valores também caminham ao lado da atualização profissional e do acompanhamento das novas tecnologias.

Fabrício destaca que preservar o nome da família significa respeitar a trajetória construída pelos pais, mas também estar preparado para as transformações do setor.

“Ele ensinou sempre a manter o legado da família e honrar o nome dele, o sobrenome, participar das palestras, cursos, cada vez aprendendo mais. A agricultura é bem difícil. Se o cara não estiver evoluindo com a tecnologia, vai ficando para trás”, afirmou.

A declaração evidencia uma realidade do campo: a experiência acumulada entre gerações continua importante, mas precisa ser acompanhada de aprendizado e adaptação. Para os sucessores, permanecer na atividade exige disposição para evoluir e encontrar soluções diante dos desafios da produção agrícola.

Dedicação é o principal legado dos pais

Para Gisele, um dos maiores ensinamentos recebidos de Olimar e Dirce está na importância de realizar cada tarefa com comprometimento. Mais do que administrar a propriedade, o princípio orienta a maneira como os irmãos encaram as responsabilidades e reconhecem a oportunidade de participar da história familiar.

“Eu acho que fazer bem feito é o maior legado que ele deixou para a gente. Então, tudo que a gente se propõe a fazer, fazemos da melhor forma possível. A gente agradece por tudo: toda a criação, toda a história, todo o conhecimento que eles passaram, todo o carinho, amor e cuidado. Também por terem ensinado a gente como é linda a agricultura, o quão perfeito é viver tudo isso e poder participar da vida, porque a agricultura é vida”, destacou.

Ao lado de Olimar, Dirce também teve participação decisiva na formação dos filhos e na preparação para a continuidade dos negócios. Para ela, a sucessão familiar não acontece de forma repentina, mas é resultado de um processo diário, construído por meio do exemplo, da convivência e da transmissão de conhecimentos.

“Quando a gente constrói, sempre constrói pensando nos filhos, né? A gente sempre pensa que essa sucessão teria que acontecer. Então, todo dia plantando uma sementinha e passando o dia a dia, eles pegaram bem e estão sendo exemplo como sucessores hoje”, relatou.

A trajetória dos Schneider em Querência mostra que a sucessão no agronegócio vai além da transferência de responsabilidades ou da continuidade de uma propriedade rural. Ela envolve confiança, formação, valores e a disposição de preservar o que foi construído sem deixar de acompanhar as mudanças do setor.

Com Gisele na administração e Fabrício nas atividades operacionais, a nova geração mantém a história da família ligada à agricultura mato-grossense. Um legado que começou ainda na juventude de Olimar e que segue sendo cultivado com trabalho, conhecimento e dedicação.

O Povo MT segue acompanhando histórias de famílias que contribuem para o desenvolvimento do agronegócio e mantêm viva a tradição de produzir em Mato Grosso.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo