Economia

MT TEM SEGUNDO MAIOR CRESCIMENTO ECONÔMICO DO PAÍS, MAS CESTA BÁSICA SOBE 16,97% EM CUIABÁ

Enquanto economia mato-grossense avança 6,7%, alimentos chegam a R$ 929,58 na capital e pressionam o orçamento das famílias

POR LUCIANA BUENO | FOTO: REPRODUÇÃO

Mato Grosso se destaca no cenário econômico nacional, mas o avanço da economia ainda convive com um problema que pesa diretamente no bolso da população: o custo da alimentação. Enquanto o estado registra crescimento econômico de 6,7%, o preço da cesta básica em Cuiabá acumula alta de 16,97% em um ano, evidenciando o contraste entre a força da produção estadual e o poder de compra das famílias.

Os dados mostram duas realidades que caminham lado a lado. De acordo com o Ranking de Competitividade dos Estados 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), Mato Grosso ocupa a segunda posição nacional no indicador de crescimento econômico, ficando atrás apenas do Acre, que apresentou índice de 7,1%.

Apesar do resultado expressivo, o desempenho econômico não significa, necessariamente, redução do custo de vida ou melhoria imediata das condições financeiras da população.

MATO GROSSO AVANÇA NA ECONOMIA

O indicador de 6,7% considera uma média móvel de quatro períodos do crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) real. A metodologia utiliza dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e estimativas da Tendências Consultoria. Portanto, o percentual não representa o resultado definitivo do PIB estadual em 2026.

No Centro-Oeste, Mato Grosso aparece à frente de Mato Grosso do Sul, que registrou 4,7%, Goiás, com 4,2%, e Distrito Federal, com 3,7%.

A posição é sustentada principalmente pela força do agronegócio, da agroindústria, da logística, do comércio e dos serviços ligados às cadeias produtivas.

Outro indicador da expansão econômica está nas exportações. Entre janeiro e setembro de 2026, Mato Grosso comercializou US$ 26,5 bilhões em produtos para o mercado internacional, crescimento de 16,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Somente em setembro, as exportações alcançaram US$ 2,1 bilhões, com mercadorias destinadas a 115 países. As importações somaram US$ 233 milhões, deixando um saldo comercial positivo próximo de US$ 1,9 bilhão.

A soja, o milho, as carnes e outros produtos agropecuários continuam entre os principais motores dessa movimentação. A industrialização também amplia sua participação, com investimentos no processamento de grãos, na produção de biocombustíveis e na estrutura de armazenamento e transporte.

CESTA BÁSICA CHEGA A R$ 929,58

Na outra ponta da economia, o consumidor cuiabano enfrenta preços elevados nos supermercados.

Levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) apontou que a cesta básica terminou a última semana de outubro custando R$ 929,58.

O valor representa uma diferença de R$ 134,88 em relação à mesma semana de 2025, quando o conjunto de alimentos custava R$ 794,70. Em 12 meses, a elevação chegou a 16,97%.

Embora tenha ocorrido uma redução semanal de 0,81% no fim de outubro, interrompendo quatro semanas consecutivas de alta, o preço permanece em patamar elevado.

A média mensal de outubro ficou em R$ 926, considerada a maior registrada em 2026 até aquele momento.

A pressão é especialmente significativa para famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior do orçamento à alimentação. Com os produtos essenciais mais caros, diminuem os recursos disponíveis para despesas como aluguel, energia elétrica, transporte, medicamentos e outras necessidades domésticas.

BATATA E TOMATE CAEM, MAS ÓLEO SOBE

O levantamento também revela comportamentos diferentes entre os produtos que compõem a cesta básica.

Na última semana de outubro, a batata apresentou redução de 7,96%, chegando a R$ 7,18 o quilo. O tomate também teve queda, de 3,69%, mas permaneceu com preço médio de R$ 14,27 por quilo.

Em sentido contrário, o óleo de soja registrou aumento semanal de 2,47%, alcançando R$ 9,08 a embalagem de 900 mililitros.

As variações estão relacionadas a fatores como condições climáticas, oferta agrícola, custos de transporte, armazenamento, processamento e demanda.

Mesmo sendo um dos maiores produtores de soja do país, Mato Grosso não garante automaticamente preços menores do óleo para o consumidor. O valor final também depende do processamento industrial, da distribuição, da tributação e das condições dos mercados nacional e internacional.

CRESCIMENTO PRECISA CHEGAR AO BOLSO DA POPULAÇÃO

O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli, demonstrou preocupação com o patamar alcançado pela cesta básica e com as dificuldades enfrentadas pelas famílias para recuperar o poder de compra diante dos aumentos acumulados.

O cenário coloca em evidência um desafio para a economia estadual: transformar o crescimento da produção, das exportações e dos investimentos em melhorias que também sejam percebidas no cotidiano da população.

A ampliação da atividade industrial pode gerar empregos, movimentar serviços e aumentar a circulação de recursos nos municípios. No entanto, os benefícios dependem também da evolução da renda, dos salários, da produtividade e do comportamento dos preços.

Mato Grosso inicia novembro com indicadores expressivos de crescimento econômico, mas também com uma realidade que afeta diretamente milhares de consumidores.

O estado produz, exporta e amplia sua presença no mercado internacional. Ainda assim, para muitas famílias, a percepção da economia continua sendo medida pelo valor das compras no supermercado.

O desafio é fazer com que a riqueza produzida em Mato Grosso também se traduza em maior poder de compra e qualidade de vida para quem vive e trabalha no estado.

O Povo MT acompanha os indicadores econômicos e seus reflexos no cotidiano da população mato-grossense.

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