Mordida de cachorro pode exigir vacina antirrábica; especialistas alertam para riscos da doença

Profissionais da saúde orientam população sobre cuidados após acidentes com animais e reforçam que a raiva pode ser fatal
Da Redação | Foto: André Luis
Uma simples mordida ou arranhão provocado por cachorro pode representar risco à saúde e exigir atendimento médico imediato. Em casos de acidentes envolvendo animais domésticos, de rua ou silvestres, a recomendação é procurar rapidamente uma unidade de saúde para avaliação, devido ao risco de transmissão da raiva — doença considerada grave e com alta taxa de mortalidade após o aparecimento dos sintomas.
Segundo a enfermeira da Vigilância em Saúde, Maria José Neves, a primeira providência após a mordida é lavar o local com água corrente e sabão em abundância.
“A limpeza imediata ajuda a reduzir o risco de infecção, mas é fundamental procurar atendimento médico o mais rápido possível”, orienta.
Animais domésticos precisam ser observados por 10 dias
Quando o acidente envolve cães ou gatos domiciliados, saudáveis e que possam ser acompanhados, a orientação é manter o animal em observação durante 10 dias.
Nesse período, devem ser observados sinais como agressividade repentina, salivação excessiva, dificuldade para engolir, medo da água, tendência a se esconder da claridade, paralisias ou alterações neurológicas.
Caso o animal permaneça saudável após os 10 dias, normalmente não há necessidade de completar o esquema vacinal antirrábico. Porém, se o animal adoecer, desaparecer ou morrer, a vítima deve retornar imediatamente ao serviço de saúde.
Animais de rua exigem atenção redobrada
Nos casos envolvendo cães de rua, animais desconhecidos ou que não possam ser monitorados, a recomendação é iniciar imediatamente a profilaxia antirrábica, conforme avaliação médica.
O esquema vacinal geralmente é composto por quatro doses aplicadas nos dias 0, 3, 7 e 14. Dependendo da gravidade do ferimento, também pode ser necessário o uso do soro antirrábico.
Entre os casos considerados graves estão mordidas profundas, múltiplas lesões, ferimentos em mãos, pés, rosto e mucosas, além de ataques causados por morcegos ou animais silvestres.
Raiva apresenta alta taxa de mortalidade
Os primeiros sintomas da raiva em humanos podem incluir febre, dor de cabeça, mal-estar, fraqueza e sensação de dor ou formigamento no local da mordida.
Com a evolução da doença, podem surgir ansiedade, agitação, dificuldade para engolir, espasmos musculares, confusão mental e paralisia.
Após o surgimento dos sintomas, a doença possui alta taxa de mortalidade.
Além da vacina antirrábica, a equipe médica também avalia a necessidade de aplicação da vacina antitetânica e uso de antibióticos, dependendo da gravidade do ferimento.
“Muitas vezes não levamos a sério a mordida de um cão ou gato, e isso pode resultar em algo muito grave se não tomarmos os cuidados necessários”, alertou Maria José.
A médica veterinária do Centro de Controle de Zoonoses de Várzea Grande, Amanda Nunes, reforça que a população deve evitar contato com animais desconhecidos, especialmente cães e gatos em situação de rua.
“É de suma importância que a população, principalmente crianças e pessoas curiosas, não toque em animais que não conhece, nem em animais silvestres, como capivaras. Eles podem transmitir a raiva”, destacou.
Atendimento em Várzea Grande
Em Várzea Grande, vítimas de mordidas de animais podem procurar atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e também no Hospital e Pronto-Socorro Municipal para avaliação e encaminhamento da vacina antirrábica humana.
Segundo o Centro de Controle de Zoonoses, a raiva animal está erradicada no município desde 2015, mas o monitoramento segue sendo realizado continuamente pelas equipes de vigilância.
Em casos suspeitos ou para mais informações, a população pode entrar em contato com o CCZ-VG pelo
WhatsApp: (65) 98476-5719.



