Agro

ABC+ em Ação aproxima jornalistas da realidade do agro sustentável em Mato Grosso

Press trip reuniu profissionais da comunicação de Mato Grosso e de outros estados para conhecer práticas sustentáveis aplicadas no campo

Luciana Bueno / Foto O Povo MT

A Fazenda Rio Manso, localizada em Campo Verde, recebeu nesta terça-feira (26) a press trip do projeto ABC+ em Ação, iniciativa promovida pelo Sistema Famato e pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, com apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

O encontro reuniu mais de 42 jornalistas de Mato Grosso e de outros estados para um dia de campo voltado à apresentação de tecnologias sustentáveis, manejo de solo e práticas de baixa emissão de carbono aplicadas na agropecuária mato-grossense.

O projeto integra o Plano ABC+, política pública nacional voltada à redução da emissão de gases de efeito estufa na agropecuária brasileira, incentivando sistemas produtivos sustentáveis, recuperação de áreas degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto, bioinsumos e manejo eficiente do solo. Em Mato Grosso, o programa se fortalece por meio de parcerias entre instituições públicas, entidades do setor produtivo e produtores rurais.

A press trip foi criada para aproximar os profissionais da comunicação da realidade vivida no campo, permitindo que acompanhassem de perto as tecnologias sustentáveis utilizadas nas propriedades rurais do estado.

Representando o Sistema Famato, o diretor de Relações Institucionais, Ronaldo Vinha, destacou que um dos principais objetivos do projeto é aproximar a sociedade urbana da realidade do agronegócio brasileiro.

“Precisamos desmistificar muita coisa que é falada sobre o agronegócio. Nossa produtividade é alta, mas também preservamos muito. Mais de 60% do território de Mato Grosso permanece preservado, sendo grande parte dentro das propriedades rurais”, afirmou.

Segundo ele, a participação dos jornalistas é essencial para ampliar o acesso da população às informações corretas sobre o setor agropecuário.

“Esses profissionais vão levar essa visão para outros estados, para as grandes cidades e ajudar a mostrar a realidade do agro brasileiro”, destacou.

Durante a abertura do evento, a secretária de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, Mayran Beckman, ressaltou a importância de mostrar a realidade da produção rural mato-grossense para combater desinformações.

“Quando vocês vêm para a área de expertise de vocês, conhecendo e vendo a realidade, isso é muito diferente. Mato Grosso produz, produz com responsabilidade, sabe o que faz e cuida daquilo que temos de melhor, que é a nossa terra e as nossas pessoas”, declarou.

A secretária também reforçou que o estado tem conseguido unir crescimento econômico, produtividade e preservação ambiental.

“Hoje conseguimos ter um volume de produção enorme preservando o nosso ambiente, respeitando a nossa gente e criando novos métodos de produção que ampliam os resultados e mantêm a sustentabilidade”, completou.

A jornalista Luciana Bueno, do site O Povo MT, destacou a importância da iniciativa para aproximar a imprensa da realidade do campo e ampliar o entendimento sobre sustentabilidade no agro.

“Assistir de perto a realidade dos produtores e as técnicas sustentáveis foi muito importante e enriquecedor. Conhecer na prática como funciona a produção e o cuidado com o solo ajuda a levar uma informação mais verdadeira e transparente para a sociedade”, afirmou.

A programação ocorreu na Fazenda Rio Manso, propriedade do produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Campo Verde, Rodrigo Destefani Minuzzi. Durante o dia de campo, os participantes conheceram áreas de integração lavoura-pecuária, manejo de solo, recuperação de pastagens e estratégias de intensificação sustentável da produção.

Rodrigo explicou que a propriedade trabalha há décadas buscando aumentar a eficiência produtiva sem abrir mão da conservação ambiental.

“A gente usa a agricultura para fazer a reforma das pastagens. Planta soja, milho, melhora o solo, aumenta a fertilidade e depois devolve uma pastagem muito mais estruturada. Isso reduz custo e melhora a produtividade”, explicou.

O produtor também comentou sobre os desafios enfrentados atualmente pelo setor, especialmente em relação ao aumento dos custos de produção.

“Depois da guerra, os custos de fertilizantes, químicos e insumos aumentaram muito. A agricultura vive um momento difícil, mas seguimos buscando alternativas e eficiência”, afirmou.

Além disso, ele destacou o crescimento agrícola e econômico de Campo Verde, considerada uma das potências do agronegócio em Mato Grosso.

“Hoje Campo Verde planta cerca de 300 mil hectares e está entre os maiores produtores de algodão do estado. O município vem crescendo muito e agregando valor à produção”, pontuou.

A programação técnica contou ainda com palestras da Embrapa sobre qualidade do solo, estoque de carbono e sustentabilidade na produção agropecuária.

O chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Flávio Wruck, apresentou estudos realizados na Fazenda Rio Manso comparando diferentes usos do solo dentro da propriedade.

Segundo ele, os resultados demonstraram melhoria na qualidade microbiológica e aumento do carbono orgânico nas áreas manejadas.

“O que observamos aqui foi uma boa qualidade microbiológica e um aumento de carbono orgânico nas áreas manejadas. Isso demonstra que o produtor está utilizando corretamente as tecnologias disponíveis”, explicou.

Outro destaque da programação foi a apresentação do coordenador de Inteligência de Mercado do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, Rodrigo Silva, que apresentou dados sobre a evolução da produção agropecuária em Mato Grosso.

“O estado produz cerca de 12% da soja do mundo e vem avançando cada vez mais na intensificação da pecuária, produção de etanol de milho, biodiesel e integração produtiva”, destacou.

Segundo ele, o avanço tecnológico permitiu reduzir áreas de pastagem sem diminuir a produção pecuária.

“O gado está ficando mais eficiente, com maior ganho de peso, menor idade de abate e maior produtividade em menos área”, afirmou.

Os jornalistas também acompanharam estações técnicas conduzidas por pesquisadores da Embrapa, entre elas palestras sobre mudanças climáticas, gases de efeito estufa na agropecuária, sistema de terminação intensiva e reforma de pastagens degradadas.

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