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ALTILLANURA COLOMBIANA BUSCA EM MATO GROSSO MODELO PARA EXPANDIR PRODUÇÃO DE GRÃOS

Experiência do agro mato-grossense é apresentada como referência internacional durante fórum na Colômbia

Por Luciana Bueno/ Foto: Divulgação

O modelo de desenvolvimento agropecuário de Mato Grosso ganhou destaque internacional durante o fórum “Colômbia: uma potência agrícola que alimentará o mundo”, realizado na quarta-feira (8), na Colômbia. O encontro reuniu especialistas, lideranças do agronegócio e representantes da agroindústria para discutir estratégias capazes de ampliar a produção de soja e milho na região da Altillanura, considerada uma das principais apostas do país para reduzir a dependência das importações de grãos.

Representando a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o superintendente Cleiton Gauer apresentou a trajetória que transformou o estado em uma das maiores potências agrícolas do mundo.

Segundo Gauer, a experiência mato-grossense desperta interesse por apresentar soluções para desafios semelhantes aos enfrentados pela Colômbia, especialmente na Altillanura, região com características geográficas comparáveis às do Cerrado brasileiro.

“A região da Altillanura tem características que lembram muito o Cerrado brasileiro. A Colômbia está olhando para Mato Grosso porque o estado conseguiu transformar desafios semelhantes em uma base produtiva forte, competitiva e integrada ao mercado. É claro que cada país tem a sua realidade, mas a experiência de Mato Grosso mostra que, com planejamento, segurança jurídica, tecnologia e infraestrutura, é possível avançar”, afirmou.

Atualmente, a Colômbia ainda depende da importação de grande parte da soja e do milho consumidos no país, produtos essenciais para cadeias como a avicultura, a suinocultura e a produção de proteína animal. O potencial agrícola dos departamentos de Meta e Vichada, na região da Orinoquia, é apontado como estratégico para ampliar a produção nacional.

Durante a apresentação, Cleiton destacou os números que consolidam Mato Grosso como referência mundial no agronegócio. O estado lidera a produção brasileira de soja, milho, algodão, etanol de milho, bovinos e gergelim. O setor agropecuário representa 56,2% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, enquanto a projeção do Imea aponta Valor Bruto da Produção de R$ 208,35 bilhões para 2026.

As estimativas também indicam que Mato Grosso deverá responder por 28,6% da produção brasileira de soja e por 11,7% da produção mundial na safra 2026/2027. No milho, o estado concentra cerca de 38% da produção nacional e quase metade da segunda safra do país.

Além da elevada produtividade, o superintendente ressaltou que o crescimento do setor ocorreu aliado à preservação ambiental. Dados do Imea mostram que 60,4% do território mato-grossense permanece coberto por vegetação nativa, sendo 40,43% preservados ou protegidos pelos próprios produtores rurais.

“Mato Grosso aprendeu que não basta produzir mais. É preciso produzir com eficiência, responsabilidade ambiental e visão de longo prazo. Da porteira para dentro, o produtor evoluiu em tecnologia, gestão e produtividade. Os principais desafios continuam fora da porteira, principalmente na logística, infraestrutura, burocracia e segurança jurídica”, destacou.

Os obstáculos enfrentados por Mato Grosso também aparecem na realidade colombiana. Entre eles estão a necessidade de correção de solos ácidos, falta de infraestrutura, escassez de materiais genéticos adaptados às condições tropicais, além de conflitos fundiários e insegurança jurídica sobre a posse da terra.

Para Cleiton Gauer, superar esses desafios exige planejamento e investimentos contínuos.

“A produção agrícola em larga escala exige muito mais do que terra disponível. Exige estradas, pontes, acesso, crédito, pesquisa, tecnologia, estabilidade jurídica e um ambiente favorável aos negócios. Mato Grosso também enfrentou essas dificuldades e avançou graças aos investimentos, à organização do setor produtivo e ao protagonismo dos produtores”, afirmou.

A infraestrutura logística também esteve entre os temas centrais do encontro. Apesar dos avanços registrados em Mato Grosso, principalmente com o fortalecimento do Arco Norte, que já responde por mais da metade do escoamento da produção estadual, o custo do transporte ainda representa um dos principais desafios para aumentar a competitividade do agronegócio.

Na Colômbia, a expansão agrícola da Altillanura também depende da melhoria das rodovias, da conectividade regional e de investimentos estruturantes capazes de viabilizar o crescimento da produção.

Outro ponto debatido durante o fórum foi a relação entre o aumento da produção de grãos e a segurança alimentar. Para o setor produtivo colombiano, ampliar a oferta de soja e milho significa reduzir custos de produção, fortalecer as cadeias de proteína animal e ampliar o abastecimento interno.

Ao encerrar a participação, Cleiton Gauer ressaltou que Mato Grosso se tornou uma referência internacional por reunir escala, tecnologia, inovação e compromisso com a sustentabilidade.

“A experiência de Mato Grosso demonstra que regiões de fronteira agrícola podem alcançar alto desempenho produtivo conciliando desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Compartilhar esse conhecimento contribui para que outros países possam construir soluções adaptadas às suas próprias realidades”, concluiu.

A participação da Famato e do Imea reforça o reconhecimento internacional da experiência mato-grossense e evidencia o papel das instituições na produção de informações técnicas e inteligência de mercado para fortalecer o agronegócio brasileiro e ampliar a cooperação com outros países.

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