MILHO DE MATO GROSSO DEVE BATER RECORDE HISTÓRICO COM SAFRA ESTIMADA EM 57 MILHÕES DE TONELADAS

Levantamento do Imea em Campo aponta aumento na produtividade e revisa para cima a projeção da safra 2025/26, consolidando um novo recorde para o Estado.
Da Redação / Foto: Imea
Mato Grosso caminha para registrar a maior safra de milho de sua história. Dados apresentados nesta segunda-feira (13) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), durante a divulgação dos resultados do projeto Imea em Campo, apontam que a produção estadual da safra 2025/26 foi revisada para 57,06 milhões de toneladas, consolidando um novo recorde.
O levantamento técnico foi realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT). Durante 64 dias de trabalho, as equipes percorreram 30.829 quilômetros, realizaram 833 avaliações de campo em 82 municípios e analisaram áreas que representam 96,4% da superfície cultivada com milho de segunda safra no Estado.
Nas visitas técnicas foram avaliados indicadores como população de plantas, número de grãos por espiga, peso e umidade dos grãos, além das condições fitossanitárias das lavouras, incluindo a incidência de pragas, doenças e plantas daninhas.
Com base nos dados coletados, o Imea elevou a estimativa de produtividade para 128,64 sacas por hectare, índice 6,95% superior à projeção anterior às avaliações de campo. A área cultivada foi mantida em 7,39 milhões de hectares, crescimento de 1,83% em relação à safra passada.
O analista do Imea, Henrique Eggers, destacou que o levantamento permitiu retratar com precisão a realidade das lavouras mato-grossenses e confirmou um desempenho acima das expectativas iniciais.
Segundo ele, antes das visitas técnicas a estimativa era de aproximadamente 120 sacas por hectare. No entanto, os resultados encontrados nas propriedades revelaram maior número de espigas por hectare, mais grãos por espiga e maior peso dos grãos, fatores que sustentaram a revisão da produtividade para 128,64 sacas por hectare.
Diferenças entre as regiões
O estudo também identificou diferenças no desempenho das regiões produtoras. O atraso no início do plantio, provocado pelo excesso de umidade no solo, fez com que parte das áreas fosse semeada fora da janela considerada ideal, principalmente na região Sudeste.
Na avaliação visual das lavouras, o Médio-Norte apresentou o maior percentual de áreas classificadas como excelentes, enquanto o Centro-Sul concentrou o maior número de lavouras consideradas muito ruins.
Em relação à sanidade das plantações, as regiões Nordeste e Médio-Norte registraram menor incidência de pragas. Já Centro-Sul e Sudeste apresentaram os maiores índices de infestação. Entre as principais pragas identificadas estão o Leptoglossus, presente em 14,41% das áreas avaliadas, e a Spodoptera spp., encontrada em 9,24%.
Quanto às doenças, Nordeste, Noroeste e Sudeste apresentaram menor incidência, enquanto a região Oeste concentrou os maiores registros moderados. O enfezamento foi a doença mais observada durante o levantamento.
Outro indicador positivo foi a população média estadual, estimada em 54,4 mil espigas por hectare, com destaque para as regiões Médio-Norte e Noroeste. O número médio de grãos por espiga cresceu 4,82% em comparação com a safra anterior, enquanto o peso dos grãos aumentou 0,80%.
Mercado segue exigindo cautela
Além do desempenho das lavouras, o Imea apresentou um panorama do mercado. Até julho, 51,41% da produção da safra 2025/26 já havia sido comercializada, com preço médio de R$ 43,10 por saca. Para a safra 2026/27, as vendas antecipadas alcançaram 7,90%, com média de R$ 44,76 por saca.
Mesmo com a perspectiva de uma produção recorde, o instituto alerta para o aumento dos custos. A estimativa é de que o custo total da próxima safra alcance R$ 7.418,49 por hectare, alta de 10,30% em relação ao ciclo anterior. O custeio operacional deverá chegar a R$ 3.799,42 por hectare, avanço de 14,46%.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que a produtividade continuará sendo decisiva para garantir a rentabilidade dos produtores, mas reforçou a necessidade de uma gestão eficiente diante da elevação dos custos de produção.
Durante a apresentação, ele destacou que o cenário reúne fatores positivos, como a valorização das commodities e o aumento da demanda mundial, mas também exige atenção devido ao excesso de oferta global e aos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño.
Representando a Famato, o diretor de Relações Institucionais, Ronaldo Vinha, afirmou que os estudos produzidos pelo Imea são fundamentais para orientar produtores, investidores e delegações internacionais interessadas no agronegócio mato-grossense, servindo como referência para o planejamento e acompanhamento da evolução da produção agrícola no Estado.
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