AGOSTO LILÁS LEVA DEBATE SOBRE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER PARA DENTRO DA ESCOLA EM VÁRZEA GRANDE

Estudantes da EMEB Lúcia Leite Rodrigues participaram de atividades, teatro e apresentações para reforçar mensagens de respeito, igualdade e prevenção à violência
DA REDAÇÃO
Foto: Andre Luis / SECOM-VG
O combate à violência contra a mulher foi tema de atividades educativas realizadas na EMEB Lúcia Leite Rodrigues, em Várzea Grande, durante o mês de agosto. A programação, encerrada na tarde desta segunda-feira (31), envolveu alunos da Educação Infantil ao 9º ano e marcou o encerramento das ações relacionadas ao Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.
Ao longo do mês, os estudantes participaram de pesquisas, exibição de vídeos, atividades em sala de aula, produção de cartazes e outras ações pedagógicas voltadas à discussão sobre respeito, igualdade, valorização da vida e relações saudáveis.
Para a diretora da unidade, Valéria Martins Silva, trabalhar o assunto com crianças e adolescentes contribui para formar uma geração mais consciente sobre os direitos das mulheres e sobre a necessidade de combater comportamentos violentos.
“A importância é que os nossos alunos sejam conscientizados sobre a importância de não ter essa violência contra as mulheres, de não praticá-la. Que eles sejam homens e mulheres de bem no futuro e entendam que as mulheres também fazem parte da sociedade, têm tanto direito quanto eles e são seres humanos”, destacou.
TEATRO TRANSFORMA TEMA EM APRENDIZADO
Um dos principais momentos da programação foi uma apresentação teatral realizada pelos estudantes do projeto ETA, sob orientação do professor Damião. A encenação retratou uma situação de violência contra a mulher e permitiu que os alunos abordassem o tema de maneira prática e próxima da realidade.
A programação também contou com apresentações musicais e uma paródia produzida pelos próprios estudantes para transmitir mensagens de conscientização.
As atividades tiveram a participação das psicólogas Luísa e Bruna, integrantes do projeto Regando Lírios, que atuaram como parceiras da escola durante as ações realizadas com os alunos dos diferentes períodos.
Entre os estudantes envolvidos na apresentação esteve Pedro Rufino, de 11 anos, aluno do 5º ano, que interpretou um personagem que praticava violência contra a esposa. Para ele, a experiência serviu para compreender ainda mais a gravidade desse tipo de comportamento.
“A violência contra a mulher é uma coisa que não pode acontecer, porque é um crime. Mulheres têm que ter uma segunda chance de vida. E, se você está sofrendo disso, ligue. Não deixe que a violência chegue ao último capítulo”, afirmou.
ALUNOS FORAM PREPARADOS DURANTE TODO O MÊS
De acordo com a diretora Valéria, o resultado apresentado pelos estudantes no encerramento foi consequência do trabalho desenvolvido durante todo o mês de agosto.
A estratégia permitiu que os alunos tivessem contato contínuo com o assunto antes das apresentações, facilitando a compreensão sobre a importância da campanha e sobre as diferentes formas de violência contra a mulher.
“Eles foram bem preparados. Você vê que, na hora da entrevista, eles saem super bem, porque já têm uma intimidade com o assunto e entendem a importância do Agosto Lilás, dessa campanha maravilhosa em favor das mulheres e para que não haja violência”, explicou.
Para a escola, levar a discussão para o ambiente educacional é uma forma de estimular desde cedo atitudes baseadas no respeito e na igualdade, além de ajudar crianças e adolescentes a reconhecerem comportamentos que podem representar violência.
UMA MENSAGEM DE MULHER PARA MULHERES
O envolvimento da diretora com o tema também possui uma dimensão pessoal. Valéria relatou que um caso recente de feminicídio envolvendo uma jovem de 20 anos a deixou profundamente impactada e reforçou sua decisão de ampliar a abordagem do assunto na escola.
“Eu fiquei muito triste. Foi um dos motivos que, quando começou a se aproximar o Agosto Lilás, eu falei: nós temos que trabalhar esse tema. Que nós, mulheres, sejamos mais respeitadas”, afirmou.
Ao falar diretamente às mulheres, a diretora defendeu relações baseadas no respeito mútuo e destacou a importância de não aceitar situações de violência.
“Quando nós dissermos não, é não. Quando escolhermos alguém, que esse alguém também nos escolha de verdade, que nos veja como uma parceira, não como uma inimiga. Chegar ao ponto de tirar a vida de um ser humano é algo que não pode acontecer. Se tiver que separar, separe. É melhor separar do que viver em desarmonia. Que cada pessoa possa olhar para o seu parceiro e enxergar realmente um parceiro dentro de casa”, declarou.
A iniciativa realizada na EMEB Lúcia Leite Rodrigues reforça a importância do ambiente escolar como espaço de formação cidadã. Além do ensino tradicional, a escola também desempenha papel na construção de valores e na preparação de crianças e adolescentes para relações pautadas pelo respeito, pela igualdade e pela prevenção da violência.



