DELEGADO COMPARA TENTATIVA DE INCRIMINAR EX-COMPANHEIRA A “FEMINICÍDIO EM VIDA” EM CUIABÁ
Segundo a investigação, ex-perito da Politec teria colocado cerca de 1 quilo de drogas no carro da mulher para provocar uma falsa prisão por tráfico
DA REDAÇÃO
Foto: Reprodução
A tentativa de um ex-perito da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) de incriminar a própria ex-companheira foi classificada pelo delegado Claudio Santana, da Diretoria de Atividades Especiais (DAE), como uma forma extrema de violência contra a mulher. Para o investigador, a estratégia teria sido planejada para provocar a prisão injusta da vítima e poderia ser comparada, em seus efeitos, a uma espécie de feminicídio.
Segundo o delegado, a intenção por trás da ação seria “matar em vida” a ex-companheira, ao colocá-la em uma situação capaz de comprometer sua liberdade, sua reputação e sua própria trajetória pessoal.
A investigação aponta que o suspeito teria adquirido aproximadamente um quilo de entorpecentes e escondido a droga no veículo da ex-companheira. A finalidade, conforme apurado pela Polícia Civil, seria criar artificialmente uma situação que levasse as autoridades a acreditar que a mulher estava envolvida com tráfico de drogas.
O ex-perito Thyago Machado foi preso pela Polícia Civil na segunda-feira (31 de agosto), durante a investigação que apura a suposta armação contra a ex-companheira.
A suspeita é de que a droga tenha sido colocada no automóvel de maneira proposital para gerar uma ocorrência policial contra a mulher. Caso a estratégia tivesse resultado na prisão da vítima, ela poderia responder criminalmente por um crime que, segundo as investigações, não teria cometido.
Para o delegado Claudio Santana, a gravidade da conduta está justamente na utilização do sistema de Justiça e das forças de segurança para tentar destruir a vida da vítima.
A investigação também está inserida em um contexto de violência doméstica e familiar, uma vez que a suposta armação teria sido direcionada contra uma ex-companheira. A Polícia Civil busca esclarecer todas as circunstâncias da ação e reunir elementos que comprovem a dinâmica utilizada para tentar incriminá-la.
A prisão do ex-perito ocorreu após o avanço das investigações e faz parte das medidas adotadas pelas autoridades para responsabilizar os envolvidos e proteger a vítima.
As circunstâncias do caso ainda são apuradas pela Polícia Civil, e o suspeito terá direito à defesa e ao devido processo legal.



