Vazio sanitário da soja começa em Mato Grosso e reforça combate à ferrugem asiática nas lavouras
Período segue até setembro e exige eliminação de plantas vivas de soja para reduzir riscos de pragas e doenças
Da Redação | Foto: Reprodução
Teve início nesta segunda-feira (8) o período de vazio sanitário da soja em Mato Grosso, medida considerada fundamental para a proteção das lavouras e para a manutenção da produtividade agrícola no maior estado produtor de soja do país.
Durante o período, que se estende até setembro, os produtores rurais ficam proibidos de manter plantas vivas de soja em suas propriedades. A estratégia busca interromper o ciclo de sobrevivência de pragas e doenças que afetam a cultura, especialmente a ferrugem asiática, uma das enfermidades mais severas da soja e responsável por prejuízos significativos no campo.
Segundo a pesquisadora da Fundação Rio Verde, Luana Belufi, a medida é essencial para reduzir a presença do fungo causador da doença no ambiente agrícola.
“A ferrugem asiática é provocada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que depende de plantas vivas de soja para sobreviver e se multiplicar. A eliminação da cultura durante esse período reduz a pressão da doença e contribui para uma produção mais eficiente e sustentável”, explicou.
Além de auxiliar no controle fitossanitário, o vazio sanitário também representa uma oportunidade para que os produtores realizem importantes manejos nas áreas de cultivo. Entre as ações recomendadas estão a correção da fertilidade do solo, o controle de plantas daninhas, a implantação de cobertura vegetal e a adoção de práticas voltadas à melhoria da qualidade física, química e biológica do terreno.
De acordo com a pesquisadora, o período deve ser encarado como uma ferramenta estratégica para o planejamento da próxima safra.
“O vazio sanitário não deve ser visto apenas como uma exigência legal, mas como uma prática técnica que favorece a sustentabilidade da produção. É o momento ideal para realizar análises de solo, planejar a adubação, fazer a manutenção de máquinas e investir em ações que fortaleçam a saúde do sistema produtivo”, destacou.
O cumprimento da medida é obrigatório para todos os produtores que cultivam soja em Mato Grosso. A fiscalização é realizada pelos órgãos de defesa agropecuária, e o descumprimento das regras pode resultar em notificações, multas e outras penalidades previstas na legislação estadual.
Especialistas ressaltam que o sucesso do vazio sanitário depende da adesão coletiva dos produtores. Quando aplicado de forma ampla, o método reduz significativamente os riscos fitossanitários e fortalece a proteção das lavouras em todo o Estado.
Pesquisa e inovação no campo
A Fundação Rio Verde, responsável por estudos e pesquisas voltados ao agronegócio, destaca que o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições de Mato Grosso tem contribuído para aumentar a produtividade e a sustentabilidade da agricultura estadual.
Os trabalhos realizados pela instituição buscam oferecer soluções alinhadas à realidade dos produtores mato-grossenses, fortalecendo a competitividade do setor e promovendo avanços na produção agrícola.



